UOL Notícias Internacional
 

05/07/2009 - 16h25

Exército impede Zelaya de aterrissar e crise em Honduras faz primeira vítima

Do UOL Notícias
Em São Paulo
Atualizada às 22h40

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, não conseguiu hoje aterrissar em Tegucigalpa, como tinha anunciado, por conta do bloqueio da pista do aeroporto da cidade pelos militares, em um dia no qual a crise política aberta há sete dias fez a primeira vítima fatal.

Um jovem de 19 anos, identificado como Isis Obed Murillo, morreu após levar um tiro na cabeça, e pelo menos outras dez pessoas ficaram feridas em confrontos entre seguidores de Zelaya e militares no aeroporto, para onde foram milhares de partidários do presidente destituído.

O Exército de Honduras colocou veículos sobre a pista de pouso do aeroporto internacional de Tegucigalpa no início da tarde deste domingo. Zelaya acabou tendo de pousar em Manágua, capital da Nicarágua, e em seguida rumou a El Salvador, de acordo com a agência de notícias Efe.

"Saio para lá imediatamente. Saio para El Salvador", disse Zelaya em declarações à "Telesur", depois que ficou sabendo que os presidentes da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner; do Paraguai, Fernando Lugo; e do Equador, Rafael Correa, o esperavam no aeroporto de San Salvador. Pouco antes ele pediu que os militares evitassem o "massacre" dos seus partidários.

A agência Efe também afirmou que o aeroporto hondurenho, cercado por milhares de pessoas, foi fechado hoje a voos comerciais e particulares - em uma notícia que estimulou os confrontos. A BBC afirma que durante protestos no local, morreram duas pessoas .

O aeroporto foi fechado às 15h (18h, Brasília), antes de incidentes entre seguidores de Zelaya e as forças de segurança na cabeceira sul da pista, aonde os primeiros tentaram entrar pela força.

No início da noite representantes de Honduras anunciaram toque de recolher a partir das 18h30 (21h30 de Brasília) de hoje, depois dos confrontos entre militares e seguidores do presidente deposto.

Antes de embarcar em Washington, o presidente deposto disse que voltaria a Honduras mesmo sem a companhia de presidentes da América do Sul. Ele deve retornar a Honduras ao lado do presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Escoto, desafiando o governo interino de Honduras, que ameaça prender Zelaya quando ele chegar ao país.

Roberto Micheletti, que assumiu a presidência de Honduras, afirmou que há um "movimento de tropas" na fronteira do país com a Nicarágua. "Eu quero respeitosamente pedir ao governo da Nicarágua, aos irmãos nicaraguenses, que não se atrevam a cruzar nossa fronteira, porque estamos dispostos a defendê-la", declarou Micheletti em rede nacional de rádio e TV.

Em entrevista coletiva em Washington, o presidente deposto disse que uma comissão integrada pelos presidentes do Equador, Rafael Correa, da Argentina, Cristina Kirchner, e do Paraguai, Fernando Lugo, irá viajar para El Salvador para acompanhar o seu retorno.

"Se Zelaya aterrissar e considerar oportuno, iremos", disse o presidente equatoriano. "Há uma grande mobilização da população em Tegucigalpa e nós não sabemos se o governo interino vai se atrever a reprimir essas pessoas. Então nós decidimos que o mais prudente era que o presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Escoto, acompanhasse o presidente Zelaya na volta a Tegucigalpa", afirmou Correa.

GOVERNO INTERINO NÃO PERMITIRÁ ENTRADA DE PRESIDENTE DEPOSTO



Além da desistência dos colegas presidentes, o governo interino de Honduras informou neste domingo que não permitirá a aterrissagem de nenhum avião que transporte o presidente deposto.

"Há ordens para não entrar", declarou o chanceler interino, Enrique Ortez, a uma emissora de rádio local.

Suspensão da OEA

A OEA suspendeu Honduras da organização pelo golpe contra Zelaya. Ele foi retirado do poder por militares, há uma semana, com o aval de representantes dos poderes Legislativo e Judiciário do país.

O novo chanceler de Honduras, Enrique Ortez, minimizou a importância da suspensão. Ortez afirmou que seu governo decidiu na sexta-feira (03) sair da OEA em exercício de sua "soberania" e em "repúdio" à pretensão desse organismo de reinstalar Zelaya.

"A única coisa que a OEA pode fazer é nos tirar e fica nisso. É o pior que pode nos acontecer. Continuamos sendo um Estado soberano e ainda somos membros das Nações Unidas", disse.

Além disso, o chanceler enfatizou que países podem ter relações bilaterais. "Neste sentido, bilateralmente, o comércio vai continuar. [O secretário-geral da OEA, José Miguel] Insulza não pode suspender o comércio. Isso vai continuar", afirmou.

Ele ainda lembrou que Cuba esteve suspensa da OEA de 1962 até este ano. "Ali está Fidel Castro, não lhe aconteceu nada por essa separação do Sistema Interamericano", declarou.

*Com agências internacionais e a Folha Online

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