Negociações em curso entre Washington e Bogotá a respeito da luta contra o tráfico e contra o terrorismo podem permitir que os Estados Unidos utilizem sete bases militares na Colômbia, informou nesta terça-feira (4) o comandante das Forças Militares colombianas, o general Freddy Padilla.
Veja onde são as bases que os Estados Unidos poderiam usar na Colômbia
"Seriam três bases aéreas às quais eles teriam acesso, mais duas do Exército e duas navais", disse o general a jornalistas durante conferência em Cartagena.
Até agora, o governo do presidente Álvaro Uribe havia indicado que o acordo contemplava apenas o uso por parte das tropas americanas de três bases aéreas e que as demais estavam em estudo.
Padilla, que está como ministro da Defesa interino, enumerou as sete bases. São as de Malambo, na província de Atlántico (norte); Palanquero, em Cundinamarca (centro) e Apiay, em Meta (centro). Das bases do Exército são as de Tolemaida, em Cundinamarca, e de Larandia, em Caquetá (sul). E das navais são as de Cartagena, em Bolívar (norte), e Bahía Málaga, no Valle del Cauca (centro-oeste).
O general Douglas Fraser, chefe do comando sul do exército americano, que estava presente na renião de Cartagena, disse que "é importante esclarecer que ainda não existe nenhum tipo de acordo firmado".
Ele recordou ainda que "já existem militares americanos que estão trabalhando em colaboração com a Colômbia. Isso tem sido feito de forma muito transparente e em coordenação com o Congresso dos Estados Unidos, e vai continuar assim", explicou.
A presença dos Estados Unidos na Colômbia despertou preocupação e até críticas feitas pela maioria dos governos da América Latina, que obrigaram o presidente Uribe a iniciar nesta terça um giro pelo Peru, Bolívia, Chile, Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, com o intuito de explicar diretamente a seus presidentes o alcance do acordo com os Estados Unidos.
O giro acontece também uma semana antes da Cúpula da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), no dia 10 de agosto no Equador, a qual não estará presente o presidente colombiano e que foi proposta pelos presidentes Lula e pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, como cenário para tratar do controvertido acordo.
Lula reclama de novas bases militares
dos Estados Unidos na Colômbia
Durante encontro com Bachelet, em São Paulo, no último dia 30, o presidente Lula demonstrou descontentamento ao comentar um possível pacto militar entre Colômbia e Estados Unidos. "Não me agrada mais uma base americana na Colômbia", disse.
A presidente chilena também sugeriu o seu desagravo em relação ao acordo. "O Chile nunca teve base americana, mas acho que na reunião do dia 10 vamos ter franqueza para tratar do assunto", falou.
O assessor do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, o general reformado James Jones, disse hoje que o acordo "terá uma boa explicação e um desenlace satisfatório" e em nada afetará as relações de seu país com o Brasil. "De nenhuma maneira interferirá no progresso de nossa amizade e cooperação em questões de interesse mútuo e de segurança", afirmou a jornalistas depois de participar de reunião em Brasília com o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Já o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que esse acordo é uma "ameaça" para a estabilidade de seu país e da região. Em protesto, Chávez decidiu "congelar" as relações com a Colômbia e ordenou a retirada de sua equipe diplomática de Bogotá.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, advertiu no último domingo que o acordo militar deve ser "melhor explicado", pois amplia a presença de tropas de fora da região e cria uma situação nova.
*Com informações da AFP e EFE