Depois de passar pela Europa, África e Oriente Médio, Barack Obama vai testar seu status de celebridade mundial em uma viagem de dez dias pelo leste asiático, a partir do próximo dia 12. Apesar de já não ostentar mais o mesmo brilho em casa, tudo indica que o presidente dos Estados Unidos deve ter uma recepção calorosa no Japão, Cingapura, China e Coreia do Sul - porém, muito mais silenciosa do que em outras partes do mundo.
Os principais temas a serem discutidos por Obama e seus colegas asiáticos são o programa nuclear da Coreia do Norte, o comércio com a China, a presença de tropas americanas no Japão e o acordo climático que deve ser selado no mês que vem em Copenhague, Dinamarca. Nenhum deles representa uma vitória fácil para os EUA.
Homenagem no Quênia
O governo do Quênia planeja a construção de um "Centro Cultural Barack Obama" em Kogelo, o povoado onde vivem os parentes africanos do presidente americano. O objetivo do centro será atrair turistas de todo o mundo "interessados em visitar a terra ancestral do homem que superou as barreiras raciais", disse hoje (4) o ministro da cultura queniano, Ole Ntimama. Nairóbi gastará US$ 1,47 milhão no centro. O projeto recebeu uma série de críticas por seu custo alto em um país onde 26% da população sofre com a falta de alimentos e mais de 40% dos habitantes não tem emprego.
Desde que assumiu o governo americano, a popularidade de Obama é maior na Europa, onde muitos o saudaram como uma espécie de antídoto contra os oito anos de George W. Bush e sua "diplomacia cowboy". O atual presidente americano foi recebido por multidões entusiasmadas no continente - somente na Rússia a reação da população à visita foi mais fria. A adoração dos europeus por Obama foi considerada também um dos principais motivos para a premiação do Nobel da Paz.
No Extremo Oriente, porém, sua popularidade nunca teve o mesmo porte. "O status de celebridade de Obama vai ajudá-lo, mas os asiáticos serão mais pragmáticos ao lidar com ele", disse James Mann, especialista da Universidade Johns Hopkins.
"Há menos desejo na Ásia de que Obama apareça como uma figura de transformar para romper com a era Bush", explicou Mann. "Muitos querem ver alguma forma de continuidade".
Tanto que, antes das eleições presidenciais do ano passado nos EUA, alguns países da região apareciam em pesquisas como mais favoráveis ao republicano John McCain. Além disso, Bush nunca foi tão impopular na Ásia quanto era na Europa. Para os asiáticos, as relações econômicas e comerciais com Washington pesaram mais nos últimos anos do que a invasão unilateral do Iraque, da qual os europeus se ressentem.
Principais desafiosA primeira parada da viagem de Obama será o Japão, onde o americano tentará forjar laços de amizade com o novo primeiro-ministro, Yukio Hatoyama. A dificuldade está no fato de que a proposta do premiê japonês é justamente se tornar mais independente em relação aos EUA.
No entanto, o maior desafio deverá ser encontrado na China. Apesar de muitos chineses o admirarem pessoalmente, a preocupação maior é com as intenções da sua administração, principalmente depois de uma decisão recente de impor impostos punitivos em pneus importados da nação asiática.
"Quem quer que se torne presidente dos Estados Unidos não terá muitas amizades com a China. Afinal, a China é um rival competitivo dos EUA", disse Wang Shuyang, 47, executivo de uma empresa de tecnologia de Xangai.
Alguns chineses se sentiam mais confortáveis com o governo Bush do que com Obama. "Nós sabíamos onde estávamos pisando", disse Shi Yinhong, professor de segurança internacional da Universidade de Renmin, em Pequim.
Como outros países exportadores na Ásia, os chineses temem que a administração democrata seja mais vulnerável a pressões protecionistas nos EUA. Por outro lado, ativistas de direitos humanos temem que Obama deixe de lado a questão para manter boas relações com o governo chinês, que detém uma enorme parcela dos títulos do Tesouro americano e tem poder para influenciar a Coreia do Norte. A Casa Branca nega qualquer favorecimento à China nesta questão.
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Com informações da Reuters