Testemunhas do tiroteio que deixou 13 mortos e 30 feridos na base militar de Fort Hood, no Texas (EUA), afirmam que o atirador gritou "Allahu Akbar!" antes de disparar. Segundo familiares e conhecidos do autor dos tiros, identificado como o major Nidal Malik Hassan, 39, era muçulmano e temia ser enviado ao Iraque ou ao Afeganistão. O tenente-general Robert Cone contou nesta sexta-feira (06) aos apresentadores do programa de TV "Today", da NBC, que a frase do major significa "Deus é grande", em árabe.
No dia seguinte ao ataque, alguns fragmentos sobre a personalidade do suspeito começam a vir à tona. Psiquiatra especializado em tratamento preventivo e atendimento em casos de desastre, ele trabalhou por seis anos no Centro Médico Militar Walter Reed, até ser convocado para o Fort Hood - um dos principais pontos de partida para missões nas duas guerras em que os Estados Unidos estão envolvidos no Oriente.
Segundo Nader Hassan, um primo do atirador, contou ao jornal "The New York Times", Nidal Hassan atendia soldados que voltavam das guerras nesses países sofrendo de síndrome de estresse pós-traumático.
"Ele estava apavorado com a ideia de ter de embarcar", disse Nader. "Ele tinha pessoas relatando diariamente os horrores que viram lá."
O coronel reformado Terry Lee, que trabalhou com Hassan, disse à "Fox News" que o psiquiatra esperava que o presidente Barack Obama retirasse as tropas do Afeganistão e do Iraque. Lee disse que Hassan entrava em brigas frequentes com outros militares que apoiavam as guerras, e que estava tentando impedir o seu embarque.
Durante sua residência no hospital, o major teve de ser colocado sob supervisão extra e terapia porque tinha algumas dificuldades no trato com os pacientes. No entanto, o diretor de treinamento do centro médico na época, Thomas Grieger, lembrou também que Hassan era muito quieto, nunca falava mal das Forças Armadas e nem dos Estados Unidos.
"Ele fez um juramento de lealdade ao serviço militar", contou Grieger. "Nunca o ouvi dizer nada contrário a este juramento".
Apesar de não ter preferência religiosa confessa em seus documentos do Exército, Nidal Hassan frequentou uma mesquita no município de Silver Springs quando morava em Maryland, perto de Washington. Às vezes, ia às orações usando a farda.
Faizul Khan, o imã do templo, disse que o major sempre foi muçulmano. No entanto, também contou que nada nele lhe indicava que o militar seria um extremista islâmico. "Nós dificilmente discutíamos política", disse.
"Tive a impressão de que ele era um soldado empenhado", disse Khan.
Khan também contou que o suspeito procurava por uma esposa, e em um dos formulários do programas de casamentos da mesquita, indicou que tinha nacionalidade palestina. No entanto, o campo "naturalidade" dizia que ele havia nascido em Arlington, na Virgínia.
"Não sei por que ele disse que tinha nacionalidade palestina", comentou. "Ele não nasceu na Palestina."
Ao "Washington Post", a tia dele, Noel Hassan, contou que ele sofreu assédio moral por ser muçulmano após os atentados de 11 de setembro de 2001, e por isso queria sair do Exército. Ela, que mora em Falls Church, na Virgínia, disse que o sobrinho tentou obter sua dispensa durante anos, sem sucesso. Ele até ofereceu pagar por seu treinamento médico, que ele completou na universidade de ciências médicas das Forças Armadas em Bethesda, Maryland. Um porta-voz de Exército disse que não foi possível confirmar a história da tia.
"Algumas pessoas conseguem lidar [com o problema] e outras não", disse Noel. "Ele ouviu tudo que disseram e queria deixar o Exército".
Veja a localização de Fort Hood
Recentemente, Nidal Hassan foi alvo da atenção de agentes federais. Cerca de seis meses atrás, Hassan foi considerado suspeito porque por causa de um blog com textos sobre atentados suicidas e outras ameaças, incluindo posts que comparavam homens-bomba aos soldados que se jogam sobre granadas para salvar as vidas de seus compatriotas.
O FBI não confirmou se Hassan era o autor dos posts, e nenhuma investigação formal foi aberta antes do tiroteio.
Nidal Malik Hassan serviu nas Forças Armadas durante oito anos por alistamento. Depois, tornou-se oficial da reserva como bacharel em bioquímica pela Universidade Virginia Tech, onde se formou em 1997.
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Com informações da AP