As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) soltaram um comunicado nesta sexta-feira (5) acusando o presidente Álvaro Uribe de falta de "dignidade" por aceitar a "instalação pelo império de sete bases militares" em seu país, referindo-se ao acordo militar firmado na semana passada com os Estados Unidos. No mesmo dia, uma pesquisa divulgada pelo instituto Invamer Gallup indicando uma queda na popularidade de Uribe para o nível mais baixo em seus sete anos de governo. No entanto, com 64% de aprovação, simpatia dos colombianos pelo presidente ainda é grande.
O grupo guerrilheiro, que pediu aos militares colombianos que se oponham ao acordo que permite a tropas americanas o uso de até sete bases das Forças Armadas da Colômbia, considera a parceria um "ato de alta traição à pátria latino-americana".
"Fazemos um fraternal e patriótico chamado aos militares de honra para que, junto a nosso povo, sejamos um só corpo que convirja em uma guerra pátria para defender nossa soberania e dignidade latino-americana", diz o secretariado do Estado-Maior central das Farc na nota divulgada pela agência "Anncol".
A principal guerrilha colombiana considera que o acordo militar "deve encher a alma dos colombianos de vergonha", porque significa "ceder o território como base de agressão contra países irmãos".
O convênio estabelece que as aeronaves militares dos EUA poderão usar na Colômbia os aeroportos comerciais que tenham operação internacional e também que controvérsias surgidas em relação ao acordo não serão remetidas a cortes ou tribunais nacionais ou internacionais. Países como Venezuela, Equador e Bolívia fizeram fortes críticas ao acordo. O grupo dos países sul-americanos afirmou que o objetivo no convênio não é claro, e pediu garantias a Washington de que as bases não serão usadas para operações em países vizinhos.
O combate às Farc na região já gerou atritos entre a Colômbia e seus vizinhos. Após a operação militar que matou o dirigente número 2 das Farc, Raul Reyes, em março, motivou um incidente diplomático com Quito porque a ofensiva atingiu solo equatoriano.
Bogotá afirma que há um dúzia de acampamentos das Farc na área fronteiriça entre os dois países, com cerca de 1.800 se abrigando na região. A informação foi oferecida ao governo equatoriano. Porém, em entrevista ao jornal "El Comercio" publicada nesta sexta, o ministro da Defesa equatoriano, Javier Ponce, disse que um mapa sobre o tema entregue pela Colômbia nesta semana não contém detalhes sobre o paradeiro dos guerrilheiros.
Segundo Ponce, o informe não dá informações sobre o número de bases ou guerrilheiros destacados no Equador. O que foi entregue é apenas "um mapeamento das zonas (fronteiriças) onde possivelmente estão" os rebeldes, disse ele.
O ministro também afirmou que os dados fornecidos por Bogotá já eram conhecidos, mas que em todo caso a inteligência militar está analisando o documento desde terça-feira (3).
Uribe e as pesquisasA popularidade do presidente colombiano, Álvaro Uribe, caiu seis pontos percentuais em dois meses, para 64%, contra 70% na última sondagem, segundo pesquisa Invamer Gallup. Analistas apontam que a popularidade de Uribe foi afetada por um escândalo de concessão de subsídios agrícolas para pessoas reconhecidamente ricas.
O diretor do instituto, Jorge Londoño, disse à rádio "Caracol", que o quinto bimestre deste ano "não foi bom para o governo", ao destacar que 46% dos cidadãos disseram acreditar que as coisas estão piorando na Colômbia, contra 36% que opinaram o contrário.
A enquete também reflete uma queda de 58% para 52% na percentagem de colombianos que afirma que votaria em um referendo para permitir que Uribe dispute a reeleição mais uma vez.
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Com informações de AFP e Efe