UOL Notícias Internacional
 

10/11/2009 - 14h36

Jobim minimiza discurso bélico de Chávez e defende presença da Venezuela no Mercosul

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
O ministro Nelson Jobim (Defesa) afirmou nesta terça-feira (10) que o Brasil age "com moderação" em relação à ameaça de guerra feita pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, contra a Colômbia. E defendeu a entrada da Venezuela no Mercosul, assunto que está sendo discutido no Senado Federal.

Ameaça de guerra de Chávez deve ser tratada pela Unasul, dizem especialistas

As declarações feitas pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, pedindo que a população de seu país se preparasse para uma guerra a fim de garantir a paz na região, foi interpretada como uma ameaça explícita pelo governo da Colômbia. Mas para analistas, o atual atrito entre os países vizinhos deve ser encarado como uma troca de acusações entre Bogotá e Caracas, que poderá receber a mediação da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e dificilmente se converterá em uma guerra real

"O Brasil age com moderação em tudo isso. Não creio que vá acontecer absolutamente coisa alguma. Não creio que a tensão vá aumentar, creio que isso faz parte da retórica do continente", analisou.

No último domingo, Chávez declarou em seu programa televisivo que "a melhor forma de evitar a guerra é se preparar para ela", em referência a supostas ameaças de agressão por parte da Colômbia e dos EUA contra Caracas. "Estudantes revolucionários, trabalhadores, mulheres: todos prontos para defender esta terra sagrada chamada Venezuela", disse o presidente.

Segundo o ministro Jobim, as declarações de Chávez podem resultar em alguma reação no Senado, mas ele defendeu que o protocolo de adesão seja aprovado pelo plenário da Casa. "Devemos aceitar, e a Venezuela deve participar do Mercosul [porque] é sempre bom estar presente, [é melhor] estar junto do que estar distante".

A votação do protocolo no plenário do Senado está prevista para esta quarta-feira. No último fim de semana, em seu programa de TV, o presidente venezuelano pediu a militares e civis que ficassem prontos para "defender a pátria" e criticou a Colômbia pelo acordo para instalação de bases norte-americanas em seu território. O governo colombiano reagiu, informando que denunciaria as ameaças ao Conselho de Segurança nas Nações Unidas e à Organização dos Estados Americanos.

"Há toda uma questão de disputas internas que fazem com que o anúncio de situações de dificuldades externas viabilizem integrações internas. Cremos que tudo pode ser resolvido com diálogo. A posição do Brasil é sempre uma posição de moderação", enfatizou Jobim.

O ministro disse que "não há nenhuma mobilização brasileira" em relação ao assunto. "O que houve recentemente, e que evidentemente não podíamos anunciar, foi a Operação 'cadeado', na fronteira sul do país, para combate ao narcotráfico e ao tráfico de armas. Mas são operações de rotina dentro das novas atribuições das Forças Armadas".


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