O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou nesta segunda-feira (23) durante a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a Brasília, que é a favor da criação do Estado palestino.
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O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), recebe, junto com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em Brasília
"Reconhecemos o sofrimento do povo palestino, que é expulso de suas terras e vítima de violências constantes. Esperamos que aquela região possa encontrar condições de resolver seus conflitos. Esperamos o dia da criação do Estado palestino", disse Sarney no Salão Negro do Senado, onde recepcionou Ahmadinejad.
As polêmicas de Mahmoud Ahmadinejad
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Antes de sua surpreendente vitória nas eleições presidenciais de 2005, Mahmoud Ahmadinejad foi prefeito da capital Teerã.
Filho de um ferreiro, mudou-se do norte do Irã para a capital com sua família durante a infância; mais tarde, doutorou-se em engenharia civil.
Durante a corrida eleitoral de quatro anos atrás, Ahmadinejad prometeu dedicar aos pobres o dinheiro que o país consegue com o petróleo, mas durante seu governo o país encontrou graves problemas econômicos, em parte devido a sanções internacionais.
Ahmadinejad, 52, casado, pai de três filhos, ficou conhecido por seus comentários polêmicos, entre os quais a negação do Holocausto, o desejo de "tirar Israel do mapa" e declarações homofóbicas.
Ele reivindica o direito de enriquecer urânio no Irã para gerar energia elétrica, um programa que Israel e os Estados Unidos acusam de ter fins bélicos.
Foi reeleito em 12 de junho deste ano para seu segundo mandato presidencial, com quase 63% dos votos.
Mais cedo o presidente iraniano tinha ouvido o mesmo do presidente Lula, que defendeu a criação de um Estado palestino, ao lado de um Estado israelense.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que também participou da recepção do presidente iraniano no Congresso brasileiro, destacou ao visitante que a Constituição brasileira é baseada no princípio da igualdade de crença e raças.
Discutindo a questão palestina com os parlamentares brasileiros, Ahmadinejad disse que o Oriente Médio foi palco de inúmeros planos que "falharam" por não terem sido pautados pela "justiça".
"Temos que resolver os problemas pela raiz, e não superficialmente", disse o presidente iraniano.
Ahmadinejad afirmou ainda que o problema palestino começou na Segunda Guerra Mundial, quando foram mortas 60 milhões de pessoas.
"Não estamos contentes com isso, claro. Não faz diferença quem são essas pessoas ou quais são suas religiões, os seres humanos devem ser respeitados", afirmou o líder iraniano, destacando que "o povo palestino não teve nenhum papel nesse massacre".
Para Ahmadinejad, muitas vezes aqueles que são julgados não são os verdadeiros responsáveis pelo crime, e fez uma comparação: "imagine o que os brasileiros iriam achar se para compensar os crimes da Europa o Brasil tivesse que arcar com isso mesmo sem ter tido nenhum papel".
Para o presidente iraniano, o mesmo acontece com a crise financeira, cujos verdadeiros culpados não foram punidos.
Ahmadinejad também voltou a defender a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, argumentando que "os países soberanos com uma visão humana têm que fazer parte" deste mecanismo de decisão.
O presidente iraniano convidou Sarney e Temer para visitar o Irã e disse que o parlamento dos dois países podem contribuir para que "ordens mundiais dominantes sejam corrigidas".
Depois de se encontrar com Lula e visitar o Congresso Nacional, Ahmadinejad foi fazer uma palestra em uma universidade de Brasília.