UOL Notícias Internacional
 

29/11/2009 - 15h25

Irã anuncia 10 novas usinas de enriquecimento de urânio

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
O governo do Irã anunciou hoje (29) planos de construir 10 novas usinas de enriquecimento de urânio e disse que os trabalhos começarão dentro de dois meses.

A construção dessas novas fábricas provavelmente deixará ainda mais tensas as relações com os países do Ocidente, que suspeitam que a república islâmica quer desenvolver bombas nucleares, intenção negada por Teerã.

Na sexta-feira, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, a agência nuclear das Nações Unidas) aprovou resolução em que condena o Irã por construir uma instalação para enriquecimento de urânio em segredo. A resolução foi a primeira aprovada pela AIEA em quase quatro anos e recebeu 25 votos a favor e três contra, com seis abstenções, incluindo a do Brasil.

A moção recebeu apoio inclusive da Rússia e da China, países que tradicionalmente apoiam o Irã. Apenas Cuba, Venezuela e Malásia votaram contra.

A agência da ONU também exigiu que o governo do Irã paralise imediatamente as atividades no local. As instalações, próximas à cidade de Qom, foram descobertas em setembro, o que aumentou os temores quanto ao programa nuclear iraniano. O Irã mantém outra instalação para enriquecimento de urânio em Natanz.

"Nossa paciência, e também a da comunidade internacional, tem limite, e o tempo está se esgotando", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

Cooperação reduzida
O Parlamento iraniano manifestou neste domingo o desejo de que o governo reduza a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em represália pela resolução da agência da ONU que condena o Irã por seu controverso programa nuclear.

De acordo com o canal estatal de TV do país, 226 dos 290 deputados assinaram uma carta na qual pedem ao governo de Teerã um "plano rápido destinado a reduzir o nível de cooperação com a AIEA". O plano deve ser submetido em seguida ao Parlamento, completa o texto.

A ameaça acontece dois dias depois da aprovação pela AIEA de uma resolução que condena o Irã pelo controverso programa nuclear e pede, em particular, a suspensão da construção da nova central atômica do país, revelada apenas em setembro.

A ameaça de uma séria redução da cooperação com a agência da ONU já havia sido mencionada pelo presidente do Parlamento, Ali Larijani, que criticou a resolução da AIEA.

Em um discurso para os parlamentares, Larijani afirmou que a resolução aprovada na sexta-feira, que pode abrir caminho para novas sanções da ONU, representa um "engano político".

"O Parlamento iraniano adverte os Estados Unidos e os outros membros do grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, além da Alemanha, que apresentaram a resolução) que não devem imaginar que este jogo já superado vai dar a eles uma oportunidade de negociar", declarou Larijani.

"Não obriguem o Parlamento e a nação iraniana a escolher outro caminho e a reduzir seriamente a cooperação com a AIEA", advertiu.

A resolução aprovada pela AIEA por ampla maioria dos 35 membros (25 votos a favor, três contra e sete abstenções, incluindo o Brasil) condena Teerã pelo programa nuclear e pede a "suspensão" da construção da central nuclear próxima da cidade sagrada de Qom, conhecidada como Fordo (centro do país), cuja existência foi ocultada pelo Irã até setembro.

"Esta iniciativa do grupo 5+1 mostra que não buscam a negociação, e sim cometer um engano político", completou Larijani, um dirigente conservador de grande influência e que já foi o negociador iraniano para a questão nuclear.

"Deveriam ter recebido positivamente a revelação iraniana da central de Fordo, ao invés de procurar um pretexto para esta resolução".

"Vamos seguir atentamente as próximas iniciativas de vocês e adotaremos um novo enfoque a respeito de vocês, caso não abandonem esta política ridícula da cenoura e garrote", destacou.

Na mensagem ao governo, os deputados também criticaram a atitude do presidente americano, Barack Obama, acusado de seguir o mesmo caminho do antecessor, George W. Bush.

*Com informações das agências internacionais

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