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06/12/2007 - 15h53
Clima, conflitos e doenças levam fome e pobreza a África

Cidade da Praia, 6 dez (Lusa) - Condições de clima adversas, fome, conflitos e doenças fazem da África a região mais pobre do planeta, apesar de petróleo, matérias-primas e bons níveis de crescimento atuais.

Considerado o berço da civilização, o continente africano convive com um clima hostil, visível em secas prolongadas em alguns países e chuvas em excesso em outros, tornando muitas zonas do continente dependentes de ajuda externa.

Exemplos da fome na África foram as crises na Etiópia, entre 1983 e 1985, quando milhares de pessoas morreram devido a uma seca prolongada, e, na mesma época, no Sudão, onde cerca de 250 mil pessoas morreram por falta de alimentos. Mais recentemente, a vítima foi Uganda.

A fome na África não é coisa do passado. Números da ONU indicam que atualmente 200 milhões de africanos sofrem com a fome e estão na África 16 dos 18 países pior alimentados do mundo.

Cheias, secas, erosão do solo, falta de meios e de técnicas (três quartos das terras são cultivadas sem fertilizantes e sementes melhoradas), mas também instabilidade política e conflitos (e a conseqüente fuga da população) levam às constantes crises humanitárias, ainda que todos os relatórios internacionais indiquem hoje um aceleramento da economia africana.

Em outubro passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmava que a África Subsaariana está vivendo o melhor período de crescimento econômico sustentando desde as independências, prevendo uma aceleração das economias de 6,1% este ano e de 6,8% em 2008.

Segundo o FMI, a economia de países do Chifre da África, como Etiópia e Sudão, vai crescer mais de 10% neste e no próximo ano. Na África Austral, o crescimento passará de 9,2% para 11% em 2008, com Angola na liderança do grupo.

As regiões dos Grandes Lagos, Centro e Oeste e a Zona Franco CFA também devem acelerar seu crescimento, prevê o FMI.

Estimativas otimistas da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento) também apontam para um crescimento na África, especialmente nos países exportadores de petróleo. Ainda assim, esse crescimento ficará abaixo do necessário para alcançar os objetivos de desenvolvimento, alerta a ONU no relatório econômico África 2007, apresentado no último mês de abril.

Em maio passado, na reunião do Banco Africano de Desenvolvimento, em Pequim, o secretário-executivo da Comissão Econômica das Nações Unidas, Abdoulaye Janneh, foi muito claro ao afirmar que o atual crescimento econômico da África é insuficiente para reerguer as economias do continente.

A própria ONU, aliás, através do Programa Alimentar Mundial (PAM), alertava em março para a iminente crise alimentar na África Austral, provocada pelas cheias em Angola e Moçambique e pela seca em Lesoto, Zimbábue e Suazilândia.

O PAM, segundo palavras do diretor regional Amir Abdulla, assiste 4,3 milhões de pessoas na África Austral, vítimas de pobreza crônica e da epidemia de Aids.

Doenças

A Aids é a doença que mais causa mortes na África, onde, segundo dados divulgados pela ONU em 20 de novembro, só este ano foram registrados cerca de 1,7 milhão de novos casos.

Estima-se, segundo a Unaids, que 68% dos 22,5 milhões de infectados com o vírus vivam na África Subsaariana. Só na África do Sul, em 2005, a epidemia foi responsável por 346 mil dos 737 mil óbitos no país.

Em 2005, a Aids matou 2 milhões na África Subsaariana, enquanto 24,5 milhões pessoas - entre elas, 2 milhões de crianças - vivem com a doença, que já deixou 12 milhões de órfãos.

Na África, o vírus atingiu proporções alarmantes, infectando 5,5 milhões na África do Sul, 2,9 milhões na Nigéria, 1,8 milhões em Moçambique, 1,7 milhões no Zimbábue, 1,4 milhões na Tanzânia e 1,3 milhões no Quênia.

Alarmantes são também os números sobre a malária. A infecção que mata mais de 1 milhão de pessoas por ano, deixa 80% de suas vítimas na África Subsaariana, segundo a Unicef, que especifica que 18% das mortes na África são de crianças até 5 anos.

A malária consome anualmente uma média de 40% das verbas gastas pelos serviços de saúde africanos, sendo que a África é também o continente onde os Estados investem menos em saúde, segundo dados da ONU, que exemplifica com os casos da Tanzânia e do Maláui, onde existem apenas dois médicos por cada cem mil habitantes.

Além da Aids e da malária, o continente é responsável por 50% dos casos mundiais de meningite (do Senegal à Etiópia, passando por Níger, Burkina Fasso e Mali, segundo o Instituto Pasteur) e por 25% dos casos de tuberculose notificados anualmente, embora viva na África apenas 10% da população do planeta.

Água e saneamento

Muitas das doenças que afligem o continente poderiam ser reduzidas com melhores condições sanitárias, já que mais de 40% dos africanos não dispõe de água potável e condições sanitárias adequadas. A água tratada representa de 3% a 5% do total da água consumida no continente.

Na África, a capacidade de armazenamento de água é cem vezes inferior ao conseguido na Europa e na América, o que fragiliza os países em termos de desenvolvimento social e econômico e diante de catástrofes meteorológicas.

Ainda que no continente se situem mais de 60% das bacias hidrográficas, a falta de cooperação limita o aproveitamento. A situação é agravada com a contaminação de recursos, mudanças climatéricas, desertificação, cheias e erosão.

Programas para minimizar o problema da falta de água na África custarão 235 milhões de euros (R$ 618,58 milhões) nos próximos três anos, subindo para 3 bilhões de euros (R$ 7,9 bilhões) entre 2011 e 2015, estimam os especialistas da AWF (African Water Facility).

Segundo a OMS e a Unicef, todos os dias morrem 4.500 crianças no mundo devido à falta de acesso a água potável e à ausência de saneamento básico, que causam diarréias e doenças infecciosas.

A situação mais grave é, mais uma vez, na África Sub-Saariana, onde apenas 56% da população tem acesso a água potável e 37% a condições de saneamento, segundo as duas entidades.

Conflitos

A escassez de alimentos e falta de água são também agravadas pela instabilidade política em vários países do continente (que registra o maior número de conflitos no mundo). As guerras levam à fuga das populações rurais, deixando um grande número de refugiados e causando o abandono de investimentos que seriam necessários.

No princípio deste ano, em fevereiro, a Unicef alertava para a crise humanitária na República Centro-Africana, por estar aumentando o conflito armado, que já dura mais de uma década. Centenas de milhares de pessoas abandonaram suas casas e as colheitas ficaram comprometidas.

A crise em Darfur (Sudão), que se prolonga há quatro anos e já provocou mais de 200 mil mortos e 2,4 milhões de deslocados, levou à aprovação pelas Nações Unidas do envio de uma força de 26 mil homens para ajudar os refugiados nas fronteiras com Chade e República Centro-Africana.

A guerra em Darfur começou quando dois movimentos rebeldes do Sudão se revoltaram acusando de discriminação o governo árabe de Cartum que, em resposta, teria armado milícias contra a população.

Até recentemente, ainda permaneciam conflitos em Congo e Ruanda (com 1 milhão de mortos entre Tutsis e Hutus, desde 1994), Burundi, Chade, Somália, Libéria e Serra Leoa, entre outros. Também Etiópia e Eritréia, Angola, Moçambique, Costa do Marfim, Uganda, Mali e Guiné-Bissau têm um passado sangrento.

O continente africano tem uma superfície de 30 milhões de quilômetros quadrados e mais de 800 milhões de habitantes, divididos em 54 países.

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