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04/03/2008 - 16h56
OEA não vai resolver crise, afirma embaixador colombiano

Lisboa, 4 mar (Lusa) - O embaixador da Colômbia em Portugal, Fuad Ricardo Char Abdala, afirmou esperar que os "irmãos" equatorianos e venezuelanos "compreendam" Bogotá, mas duvida que a crise possa ser resolvida pela Organização de Estados Americanos (OEA).

A OEA realiza nesta terça-feira uma reunião extraordinária para analisar a crise desencadeada pela entrada de forças colombianas, no sábado, em território equatoriano para atacar uma base das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"A OEA não tem mecanismos suficientes para resolver [a situação] e que teremos que chegar às Nações Unidas", disse à Agência Lusa o representante diplomático de Bogotá em Lisboa, Fuad Ricardo Char Abdala.

A reunião do Conselho da OEA está marcada para as 15h locais em Washington (17h em Brasília) e acontece a pedido da missão do Equador, que acredita na violação da sua soberania com a incursão colombiana contra as Farc, que resultou na morte do seu "número dois", Raul Reyes, e de outros 16 guerrilheiros.

Entretanto, o Equador cortou relações diplomáticas com a Colômbia e a Venezuela expulsou o embaixador colombiano, depois de ter encerrado a sua representação diplomática em Bogotá. Quito e Caracas também colocaram tropas na fronteira com o vizinho colombiano.

Crise

Fuad Abdala declarou estar "surpreendido" pelo fato do "ato das forças armadas da Colômbia ter sido entendido [pelo Equador e pela Venezuela] como um assassinato" de Raul Reyes.

"Surpreende-nos muito não compreenderem que estamos lidando com forças terroristas que põem em causa as instituições do nosso país, são 40 anos de luta armada", afirmou.

Ressaltando que os soldados colombianos estavam "numa perseguição" e "infelizmente tiveram de entrar em território equatoriano", o diplomata disse esperar que "os irmãos do Equador e da Venezuela possam entender e compreender a Colômbia".

O Equador alega que a operação foi planejada e foi apoiado pelo Brasil na sua exigência de um completo pedido de desculpas de Bogotá.

"Um pedido de desculpas não qualificado, não tão condicionado e a garantia de que isto não se repetiria ajudaria a baixar a temperatura da crise", considerou segunda-feira o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

O embaixador da Colômbia em Portugal lembrou que "o presidente [colombiano Álvaro] Uribe já deu explicações ao presidente [equatoriano Rafael] Correa no domingo de manhã", mas admitiu que "as gravações [dos computadores de Raul Reyes] comprometem a posição do governo equatoriano".

Negociações

O governo colombiano admitiu a possibilidade de existência de um "acordo com fins políticos" entre o executivo do Equador e a guerrilha das Farc, que podia incluir "tráfico de seqüestrados", baseando-se em documentos encontrados nos computadores do "número dois" das Farc, num comunicado da sede do governo da Colômbia.

As Farc, que ao longo dos anos seqüestraram milhares de pessoas, estão em negociações para uma "troca humanitária" de quatro dezenas de reféns, incluindo a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e o luso-norte-americano Marc Gonçalves, por 500 guerrilheiros que estão detidos.

Na segunda-feira, o presidente do Equador declarou que a operação do exército colombiano tinha condicionado a libertação de 12 reféns, em que estava incluída Betancourt, mas Fuad Abdala disse esperar "que o processo humanitário de entrega de reféns prossiga".

"Aquele [em relação à operação de sábado] foi um ato de guerra", disse, ressaltando que "a Colômbia está interessada" em resolver a questão dos reféns.

Fuad Abdala disse ainda que "o governo está disposto a ceder" a algumas exigências das Farc e que não existe "ato mais inumano que o seqüestro".

O embaixador considerou a possibilidade de o Executivo colombiano ceder e desmilitarizar os municípios de Florida e Pradera como exigem os rebeldes, "durante um período limitado de 40 a 60 dias", para permitir a libertação de reféns. "A situação que estamos a viver é tão complicada", afirmou.

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