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14/05/2008 - 10h46

Associação espanhola defende idioma "galego-português"

Porto, 14 mai (Lusa) - A Associação Galega da Língua (AGAL) promove neste domingo uma manifestação em Santiago de Compostela para defender o reconhecimento do galego como parte integrante da lusofonia e denunciar as políticas de normalização lingüística desenvolvidas pelo Estado espanhol.

"Não temos nenhum problema que a língua galega se chame português", assegurou Alexandre Banhos Campo, da AGAL, em declarações à Lusa, alertando que "o português da Galícia está numa situação muito difícil".

"O mundo tradicional que funcionava na língua galega está em quebra", lamentou.

Os dados estatísticos que citou indicam que "90% dos galegos, com mais de 65 anos, falam português da Galícia, mas essa porcentagem é muito reduzida entre os que têm menos de 20 anos".

"O processo de reconhecimento autonômico e político levou a uma espécie de oficialização da língua galega, mas o modelo que nos é imposto nas escolas e na comunicação social é baseado no padrão castelhano", afirmou Alexandre Banhos Campo.

Nesse sentido, "como o português é uma língua estrangeira para os espanhóis, a aproximação do galego à lusofonia é entendida como um delito".

"Não queremos que o galego seja uma língua estrangeira para o português", afirmou.

Alexandre Banhos Campo recordou que o Norte de Portugal e a Galícia foram "o berço da lusofonia", frisando que "o português original era a língua que se falava no século 9 entre as cidades do Porto e Santiago de Compostela".

Por isso, defendeu que "o galego se confunda com o português", mantendo, no entanto, as suas especificidades próprias.

"No Rio de Janeiro fala-se de uma forma diferente da que se fala em Lisboa, mas ninguém duvida que são as duas português", frisou.

Alexandre Banhos Campo frisou que se vive na Galícia "um processo de substituição lingüística que não se pode chamar de normalização".

Nesse contexto, revelou que "a Galícia está cheia de pessoas que perderam os seus postos de trabalho por dizerem que a sua língua é o português".

"Na Galícia é proibido receber as televisões portuguesas, o que, além de dever preocupar as autoridades portugueses, vai contra o que aprovou por unanimidade o parlamento galego", afirmou.

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