Lisboa, 10 jun (Lusa) - Um caminhoneiro que participava dos protestos contra a alta dos combustíveis em Portugal morreu nesta terça-feira, atropelado por um caminhão que tentou furar o bloqueio de uma estrada.
"Passou por cima do homem, foi um assassinato", afirmou, exaltado, Manuel Agostinho, líder do grupo de 20 a 30 caminhoneiros que protestava em Zibreira, na cidade de Torres Novas, centro de Portugal.
"Este homem não vai morrer em vão", completou o grevista.
O caminhoneiro de 52 anos, que trabalhava para a transportadora Euro-Ventura, havia se afastado do restante do grupo - que almoçava - para mandar parar um caminhão que vinha em direção ao bloqueio, sinalizado com um sinal de "pare".
O motorista do caminhão que atropelou e matou o grevista foi imediatamente detido pela polícia, afirmou o líder do piquete.
Após a morte do companheiro, o grupo de caminhoneiros que bloqueava a estrada em Torres Novas promete endurecer o protesto.
"Este era o protesto mais pacífico aqui, mas agora vai ser mais grave. Agora não passa ninguém", afirmou Agostinho à Agência Lusa.
A morte do grevista foi lamentada pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, informou à Agência Lusa uma fonte de seu gabinete.
Antes de receber a notícia do incidente, Sócrates havia reconhecido que o aumento do preço dos combustíveis tem "um impacto muito negativo" sobre o setor dos transportes e, por isso, garantiu que o governo estudaria, com as associações do ramo, medidas para minimizar esse impacto.