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04/07/2008 - 17h23

Presidente português afirma que país vive 'situação difícil'

Fronteira, Portalegre, 4 jul (Lusa) - O presidente português, Aníbal Cavaco Silva, afirmou nesta sexta-feira que, se o país não aumentar a produção de bens e serviços negociáveis, o endividamento externo pode ser insustentável.

"O país vive uma situação difícil, mas não podemos baixar os braços. O importante é que todos tenhamos a consciência que Portugal não conseguirá voltar a aproximar-se do nível de desenvolvimento médio da União Européia e ultrapassar as atuais dificuldades se não aumentar a produção de bens e serviços transacionáveis", disse.

Caso contrário, "não só não temos crescimento econômico, como o nosso endividamento para com o exterior pode atingir situações insustentáveis", declarou o presidente luso.

Questionado sobre a situação econômica e social de Portugal, Cavaco Silva incentivou os portugueses a "não se resignarem", mas lembrou que, nos últimos "dez anos", o desempenho de Portugal "não tem sido o desejado".

"Todos nós gostaríamos que o desempenho fosse melhor. Vivemos uma situação de afastamento do desenvolvimento médio da União Européia há bastantes anos, mas temos que ter esperança que no futuro a situação será diferente", disse.

"Crise"

Após uma pergunta se Portugal estaria em crise, Cavaco Silva disse que "o presidente da República deve evitar essa palavra", apesar de ser "óbvio" que Portugal, que teve um crescimento econômico de 1,9% no ano passado, "não atingirá esse crescimento" em 2008 segundo previsões.

"Isso é algo que nos entristece bastante, mas nós estamos a enfrentar uma situação complexa", disse o chefe de Estado, citando situações como a alta do preço do petróleo, de produtos alimentares e das taxas de juros, além das limitações ao crédito.

Questionado sobre o que o governo pode fazer para alterar a situação atual, Cavaco Silva disse que o Executivo "tem de poder fazer alguma coisa".

"É por isso que é governo. Eu sou o presidente da República e nunca me tem faltado a cooperação para estimular os outros órgãos de soberania, o poder autárquico ou os próprios empresários", afirmou.

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