Vila Chã de Ourique, Santarém, 27 set (Lusa) - Em plena povoação de Vila Chã de Ourique, distrito do Cartaxo, centro de Portugal, está nascendo um investimento que alia a produção de vinhos de excelência ao cavalo, com condições únicas para a realização de provas eqüestres, principalmente de cross country.
Sofia Martins, presidente executiva da Quatro Âncoras, Investimentos Imobiliários, Turísticos e Agrícolas, disse à agência Lusa que este investimento, da ordem dos 40 milhões de euros e a concluir até o segundo semestre de 2010, visa nichos de mercado exigentes.
Um hotel de cinco estrelas, com 50 quartos, está nascendo junto à adega adquirida pela Quatro Âncoras em 2003, no centro da povoação, funcionando em sinergia com a fazenda Vale d'Algares, 100 hectares de terreno, a escassas centenas de metros, ocupados por sobreiros, uma extensa vinha-jardim (32 ha), equipamentos direcionados para provas eqüestres e um lago.
Um mega-picadeiro, com 11.600 metros quadrados, dotado de 60 boxes fixos e 60 apartamentos para cavaleiros e para tratadores, está sendo construído, tendo como mercado alvo cavaleiros profissionais.
Com vocação para o enoturismo - todo o processo da produção de vinho está sendo preparado para surgir aos visitantes como um museu vivo e o hotel terá como inspiração a temática do vinho - e para o turismo eqüestre, o projeto vai ainda atrair um nicho de mercado pouco explorado em Portugal, o "bird watching", numa parceria com a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).
A SPEA já colaborou com a Quatro Âncoras na escolha da imagem de uma das duas marcas de vinhos produzidos pela Vale d'Algares, o Premium Guarda-Rios (o Super Premium Vale d'Algares usa a imagem de um sobreiro).
A vinha, com uma estrutura inspirada no Novo Mundo (com a parra elevada para uma maior exposição solar) foi toda plantada de raiz em 2003 e 2004, tendo a primeira colheita, de 2006, resultado na produção de 60.000 garrafas.
"Para um primeiro ano, tivemos resultados muito satisfatórios, com 12 prêmios conquistados em concursos internacionais", disse Sofia Martins à Lusa.
A produção de 2007 duplicou, sendo a expectativa a de que a colheita de 2008, um ano que se apresenta "muito bom", chegue às 200.000 garrafas.
A marca Guarda-Rios apresenta brancos, tintos e rosês, enquanto a Vale d'Algares, tendo começado pelo branco, vai lançar em meados de 2009 o tinto e um branco de colheita tardia começa a ser vendido ainda antes do final de 2008.
Com 32 trabalhadores no quadro, o investimento, que tem procurado integrar a população da região, prevê criar um total de 150 postos de trabalho diretos quando estiver a funcionar em pleno.
Já depois de adquirir a quinta Vale d'Algares, em 2001 - que, confessa Sofia Martins, "estava ao abandono, só tinha sobreiros e silvas" -, a Quatro Âncoras juntou ao investimento mais três propriedades:
As quintas da Faia, 13 hectares de terreno em Vale de Figueira (Santarém) plantados este ano com vinha, de Montalto (Pontével, Cartaxo), 43,6 hectares também para vinha, e da Ventosa (S. Vicente do Paul, Santarém), 47,5 hectares destinados a olival para a produção de azeite de excelência.
A marca Vale d'Algares começou já a ser projetada em eventos pontuais - realizaram-se duas provas eqüestres em junho e setembro e uma de cross country está agendada para novembro - e o salão de eventos (um espaço de 800 metros quadrados) acolheu o lançamento de um novo modelo automóvel.
Destacando que todo o investimento tem sido feito com capitais próprios e recurso a financiamento, Sofia Martins adiantou que a empresa concorreu ao PRODER (Programa de Desenvolvimento Regional) para transformar os antigos armazéns da Quinta da Faia no lagar de azeite.
Para os projetos do hotel, da autoria do gabinete AR.X, e do mega-picadeiro foram apresentadas candidaturas, na vertente inovação, ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).