Macau, China, 3 jun (Lusa) - Vigílias à luz das velas paralelas a exposições com fotos e recortes de imprensa do movimento estudantil que durante semanas ocupou a praça da Paz Celestial (Tiananmen), em Pequim, assinalam na quinta-feira os 20 anos do fim dos protestos dos estudantes.
Os números da ação militar chinesa sobre os estudantes não são conhecidos e, apesar de ao longo dos últimos 20 anos várias listas de nomes terem sido publicadas, principalmente pelo movimento "mães de Tiananmen", só as autoridades oficiais chinesas conhecem realmente quantos estudantes ou apoiadores do regime morreram em função da intervenção militar.
Apesar de concentrado em Pequim, outras cidades chinesas também viveram o movimento e houve dissidentes condenados a prisão.
Vinte anos depois da ação ter sido classificada como um massacre, Pequim repete as medidas preventivas de qualquer atividade que possam evocar o movimento estudantil, reforçam a segurança na praça, controlam os acessos ao local e até impedem o acesso eletrônico a
sites que, por qualquer via, possam recordar os objetivos dos estudantes.
MemóriaEm Macau, a memória do massacre volta a ser evocada pela Associação Novo Macau Democrático (ANMD), liderada pelos deputados à Assembleia Legislativa Ng Kuok Cheong e Au Kam San.
O palco das atividades vai ser a praça do Leal Senado, numa zona lateral já perto da igreja de São Domingos, já que o centro da praça está ocupado com outras atividades culturais, um costume ao qual Ng Kuok Cheong está habituado.
"Claro que é no mesmo lugar sempre porque o centro da praça volta a estar ocupada", disse à Agência Lusa por telefone.
Em Hong Kong, o Parque Vitória volta a ser o local escolhido e são esperadas centenas ou milhares de pessoas. Além disso, ocorreram na cidade alguns fóruns de discussão sobre a Praça da Paz Celestial, em que participaram também algumas personalidades, como o cardeal Joseph Zen, que liderou a igreja católica de Hong Kong e tem sido uma voz crítica da China.
Atualmente, regiões administrativas especiais da China, Hong Kong e Macau foram, durante a ocupação da praça, importantes centros de apoio aos estudantes de Pequim, não só com recolhimento de fundos de apoio aos manifestantes, mas também como pontos de passagem ou de acolhimento na fuga das autoridades após o massacre.