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01/07/2009 - 12h57

Lula defende relação Brasil-África sem intervenção externa

Sirte, Líbia, 1° jul (Lusa) - O presidente Lula apontou nesta quarta-feira a África uma das prioridades da política externa brasileira, considerando que o país e o continente africano devem apostar na cooperação econômica sem intervenção estrangeira.

"Chegou o tempo de Brasil e África porem em marcha novas formas de cooperação econômica sem intervenção estrangeira", disse o presidente brasileiro durante a sua intervenção na cúpula da União Africana (UA), que hoje começou na cidade líbia de Sirte.

A cúpula da União Africana, que tem como tema o desenvolvimento da agricultura, decorrerá entre hoje e sexta-feira, sob a presidência do líder líbio, Muammar Kadhafi.

O presidente brasileiro participa como convidado de honra na reunião.

"Há um provérbio que diz que se não queres que os outros escrevam por ti, escreve tu próprio a tua história. Brasil e África devem escrever juntos a sua história e o seu futuro comum", afirmou Lula da Silva.

O presidente brasileiro lembrou que há alguns anos os países ricos apontavam África e a América Latina como uma das causas dos seus problemas, enquanto atualmente as duas regiões são consideradas parte integrante na resolução da crise econômica mundial.

"Brasil não veio a África desculpar-se pelo passado colonial, queremos ser verdadeiros sócios no desenvolvimento e na cooperação", disse Lula, frisando que juntos podem fazer "grande coisas para desenvolver as economias".

Lula apontou o continente africano como uma das prioridades da sua política numa "dinâmica real" de cooperação que vá além de "simples palavras", sustentando que o futuro do Brasil "está vinculado ao da África".

Recordou que no Brasil há 10 milhões de habitantes árabes de origem africana que "enriquecem" a cultura do país e que desde a sua chegada ao poder visitou 20 países africanos, tendo aumentado consideravelmente a representação diplomática brasileira no continente, que conta hoje 34 embaixadas.

Lula anunciou que o seu governo prevê abrir brevemente uma delegação da União Africana no Brasil e destacou os desafios comuns em matéria de desenvolvimento e luta contra a pobreza.

"A cooperação sul-sul é uma força e faz falta que se possa traduzir num intercâmbio de conhecimentos e experiências para levar a cabo o desenvolvimento sustentável", disse, adiantando que a experiência brasileira demonstra que "a produtividade reduz a pobreza e cria emprego".

O presidente disse também que o Brasil está "ao lado" da África para apoiar os seus esforços em prol da paz e da segurança, uma tarefa que, na sua opinião, "não é fácil" devido aos conflitos que atingem o continente.

O presidente brasileiro anunciou que está organizando uma reunião dos ministros da agricultura africanos no Brasil para que os países do continente possam beneficiar da experiência brasileira no setor.

Lula pediu ainda aos chefes de Estado africanos que na declaração final da cúpula condenem o golpe militar contra o presidente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, e solicitou também o apoio da África à candidatura do Rio de Janeiro à organização dos Jogos Olímpicos em 2016.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), atualmente presidida por Portugal, está representada na cúpula pelo chanceler Luís Amado.

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