Lisboa, 3 jul (Lusa) - A carta estratégica de Lisboa (documento orientador da atividade municipal entre 2010 e 2024) recomenda a criação de uma "marca" para a capital portuguesa, com uma estratégia de comunicação para a Grande Lisboa, incluindo um portal na internet onde seja possível comprar bilhetes para toda a oferta cultural.
"Deve ser ponderado o conceito de Grande Lisboa na estruturação da oferta cultural, de lazer e de entretenimento", concluiu a comissária Simonetta Luz Afonso.
Simonetta Luz Afonso ocupou-se da temática da afirmação da "identidade de Lisboa, num mundo globalizado", uma das seis questões em que se dividiu a metodologia de elaboração da carta estratégica da cidade.
O documento recomenda a criação de uma plataforma digital que inclua um "sistema de ticketing, que possibilite a compra de entradas/bilhetes para toda a oferta disponível para a Grande Lisboa".
Esse portal deverá incluir também um "diretório de patrimônio e equipamentos" e "roteiros temáticos", que organizem a visita à cidade de acordo com as suas múltiplas ofertas culturais e de lazer, disponíveis em vários formatos, sobretudo MP3.
A carta estratégica converge com as "estratégias de cultura de Lisboa" ao propor a utilização de "equipamentos de proximidade", apostando no conceito de "Lisboa dos Bairros".
"Deverão ser utilizados equipamentos de proximidade para fins culturais e de lazer, prestando também especial atenção à cultura amadora, sedes de juntas de freguesias, associações recreativas e desportivas, casas regionais, bem como outro patrimônio municipal disponível para o efeito", afirma o documento.
Outra das conclusões coincidentes com as "estratégias da cultura" é a necessidade de reestruturar o Museu da Cidade e criação de um centro de interpretação no Terreiro do Paço.
A carta estratégica recomenda também a criação de um prêmio para a "melhor recuperação patrimonial feita por privados".
"Este conceito pode ser alargado, concedendo uma bonificação no IMI [Imposto Municipal sobre Imóveis] às melhores recuperações feitas durante o ano na cidade de Lisboa", acrescenta o documento.
É também proposta a criação de uma estrutura "ligeira" que alie valências das várias universidades de Lisboa, em áreas como o urbanismo, engenharia, arquitetura, design, pesquisa em construção e história da arte, com o objetivo de "salvaguardar os valores construtivos, a conservação patrimonial, a capacidade de integrar o antigo e o moderno".