Bruxelas, 3 jul (Lusa) - A Comissão Europeia (braço executivo da União Europeia) minimizou o adiamento para setembro da votação, pelo Parlamento Europeu, sobre a recondução de José Manuel Durão Barroso ao cargo de presidente do organismo, considerando que ainda há tempo para evitar um vazio de poder nas instituições europeias.
"Ainda não se está a deslizar para um vazio de poder" se o Parlamento Europeu votar "logo a seguir ao verão", disse à Agência Lusa um representante do bloco europeu, acrescentando que "compete" à instituição decidir sobre a data mais apropriada para a votação sobre a recondução de Durão Barroso.
O primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, declarou que não haverá qualquer decisão sobre a reeleição de Durão Barroso "em julho".
"Esperemos que uma decisão seja tomada rapidamente mais tarde", acrescentou Reinfeldt, que ocupa desde o dia 1° deste mês a presidência semestral da UE.
"É preciso respeitar a independência do Parlamento Europeu", declarou o chefe do governo sueco, ao ser questionado sobre as razões da decisão durante uma conferência de imprensa conjunta com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.
ProcessoOs chefes de Estado e de Governo dos 27 países do bloco chegaram a um acordo, em 19 de junho em Bruxelas, por unanimidade, para reconduzir José Manuel Durão Barroso no cargo de presidente da Comissão Europeia por mais cinco anos.
O Parlamento Europeu terá de confirmar essa escolha, o que poderia acontecer na primeira sessão plenária da instituição, de 13 a 15 de julho, se as diferentes forças políticas no Parlamento chegassem a acordo nesse sentido.
"Quanto mais cedo tivermos a confirmação do presidente da próxima Comissão, mais cedo ele poderá começar a formar a próxima, evitando situações de vazio em novembro e dezembro, que são precisamente os meses em que se vai negociar o acordo de Copenhague e onde a Comissão tem não apenas necessidade de uma grande autoridade política mas de competência legal para negociar", explicou Durão Barroso, na quarta-feira.
O presidente da Comissão Europeia e a Presidência sueca do UE temem que a Comissão seja o elo fraco do sistema institucional europeu se continuar a pairar por mais alguns meses dúvidas sobre a recondução do seu presidente.
"Em 15 de julho ou 15 de setembro, não é um drama, o que é importante é que não haja oposição entre o Conselho e o Parlamento", considerou o presidente da França, Nicolas Sarkozy.
"Espero [a recondução de Durão Barroso] para setembro", afirmou o presidente francês.
O primeiro-ministro sueco explicou ter consultado os presidentes de grupos parlamentares europeus e que alguns deles se opuseram a um voto do Parlamento Europeu em julho.