La Paz, 1º out (Lusa) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse não excluir a possibilidade de vender urânio ao Irã, desde que seja exclusivamente para fins civis, ressaltando que o seu país não tem até agora capacidade industrial para explorar aquele mineral.
"Temos a obrigação de tirar proveito dos nossos recursos naturais, não para fins beligerantes, mas para fins de desenvolvimento", disse Morales à imprensa estrangeira, ao responder a perguntas sobre a eventual utilização do urânio boliviano no futuro e sobre uma hipotética venda ao Irã.
A Bolívia tem uma dúzia de jazidas de urânio em estado natural, localizadas principalmente na região de Potosi (sul) e em Santa Cruz (sudeste), segundo um relatório do Serviço Nacional de Geologia e Minas.
Contudo as reservas são relativamente modestas, na ordem das 53 mil toneladas na mais importante dessas jazidas, estimam peritos independentes.
A Bolívia não produz urânio atualmente, como afirmou por várias vezes o governo boliviano, quando em maio o Ministério israelense das Relações Exteriores levantou a suspeita de que La Paz fornecia o mineral ao Governo iraniano, com quem mantém uma estreita cooperação.
La Paz desmentiu categoricamente as acusações que visavam igualmente o seu aliado venezuelano.
A Bolívia e o Irã começaram recentemente a levar à prática acordos de cooperação e de créditos iranianos a La Paz, assinados em 2007 e 2008. Elevam-se a mais de US$ 1bilhão e incidem sobre vários setores, como agricultura, hidrocarbonetos, petroquímica e cimento.