Dublin, 2 out (Lusa) - Mais de três milhões de irlandeses estão aptos a ir às urnas nesta sexta-feira para se pronunciarem em referendo, pela segunda vez, sobre o Tratado de Lisboa, com as pesquisas prevendo uma vitória do "sim".
As urnas das 43 circunscrições eleitorais abrem às 7h locais (3h no Brasil) e fecham às 22h (18h).
O boletim de voto, em inglês e gaélico, não contém uma pergunta, mas a frase - "Vigésima Oitava Emenda à Constituição (Tratado de Lisboa)" - seguida das opções "sim" ou "não".
A contagem dos votos só é iniciada no dia seguinte, às 9h, prevendo-se que os resultados sejam anunciados à tarde.
As últimas pesquisas, divulgadas no final de semana passado, dão vantagem ao "sim", com 55% a 68% de intenções de voto, sobre o "não", que registra 17% a 27% das intenções de voto. Os indecisos correspondem a cerca de 20%.
Em 12 de junho de 2008, 53,4% dos eleitores irlandeses recusaram o Tratado Reformador das Instituições Europeias, ou Tratado de Lisboa, num primeiro referendo, impedindo a aplicação do texto, que só pode entrar em vigor depois de ratificado por todos os 27 Estados membros da UE.
Além da Irlanda, o tratado tem ainda de ser promulgado pelos presidentes da República Tcheca, Vaclav Klaus, e da Polônia, Lech Kaczynski.
Para assegurar a realização de uma segunda consulta - a Irlanda está constitucionalmente obrigada a referendar qualquer tratado internacional -, os líderes europeus aceitaram dar garantias a Dublin sobre a manutenção da autonomia política interna em questões "sensíveis" para o eleitorado: neutralidade, fiscalidade, direitos laborais, aborto.
ImprensaOs principais jornais irlandeses urgem hoje ao voto no segundo referendo ao tratado como um direito de expressão popular, mas deixam críticas à campanha.
O
Irish Times chama aos eleitores de "senhores do nosso destino" e apela para o voto pela segunda vez no mesmo tratado.
"Não há nada de errado com isso, não é antidemocrático nem é preciso pedir desculpa", frisa em editorial o mesmo diário.
"Os referendos são a nossa forma especial de expressar controle popular sobre a mudança constitucional", lê-se no site do jornal.
No
Irish Independent, uma revista da campanha para o segundo referendo chega à conclusão que "teve mais momentos maus do que bons".
Desde insultos entre políticos a argumentos falsos, o jornal deixa críticas aos participantes.
"Seja qual for o resultado amanhã [sábado, dia de anúncio do resultado], o Lisboa II não vai ser recordado como um bom referendo, e de certeza que [não vai ser recordado] como ótimo", lamenta.
Ambos os jornais defenderam a ratificação do Tratado de Lisboa.