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02/10/2009 - 09h46

Lusos criam software para detectar tráfico humano na UE

Lisboa, 2 out (Lusa) - O Observatório do Tráfico de Seres Humanos, de Portugal, criou recentemente um aplicativo informático, com indicadores harmonizados, para detectar vítimas e agressores e que será aplicado nos países da União Europeia (UE).

"Portugal deu uma enorme ajuda a todos os países da UE no combate a este crime", que, segundo a ONU, movimenta trilhões de dólares anualmente, disse à Agência Lusa o presidente do Observatório, Paulo Machado.

"É um sistema que considero muito eficaz, porque se consegue ter a mesma informação aqui ou na Polônia, na República Tcheca, Áustria ou França", explicou Paulo Machado, na direção do centro desde julho.

O sistema, disse, "é dotado de inteligência própria e pode detectar que uma vítima processada na República Tcheca aparente ser uma vítima já processada na Polônia, ou que já passou em Portugal, ou que esteve na Espanha a trabalhar".

Segundo o responsável do Observatório, que já funciona há um ano, "era preciso criar essa base harmonizada de indicadores" e uma ferramenta de informática que pudesse ser usada por todos os países.

Machado acredita que o aumento da informação compartilhada entre países, de origem e de destino, é "particularmente relevante", já que eleva "a capacidade de entender melhor o fenômeno".

Portugal se prontificou a elaborar esta ferramenta depois de notar que "diferentes países europeus medem diferentemente o tráfico e, portanto, nunca existe uma noção boa, correta do que se está a passar".

O sistema deverá ser utilizado pelas forças de segurança e pelas organizações não-governamentais dos 27 países-membros da UE.

Agora, caberá às autoridades políticas da Europa recomendar a utilização do aplicativo, e Portugal já conta com o apoio da atual Presidência sueca da União Europeia.

Atualmente, o observatório acompanha "150 casos sinalizados em Portugal de possível tráfico de mulheres, estrangeiras".

O Observatório do Tráfico de Seres Humanos tem como missão recolher, tratar e difundir informação sobre tráfico de pessoas e formas diversas de violência de gênero.

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