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02/10/2009 - 15h31

Missão brasileira afirma que Micheletti tem apoio popular

Lisboa, 2 out (Lusa) - A maioria da opinião pública e todas as instituições hondurenhas apoiam o presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, enquanto o chefe de Estado deposto, Manuel Zelaya, tem apenas o respaldo internacional, disse nesta sexta-feira à Agência Lusa o chefe da missão parlamentar brasileira a Tegucigalpa, o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE).

"Encontramos um jogo de empate", afirmou Jungmann, que lidera a delegação do Congresso nacional que, nos últimos dois dias, manteve vários contatos na capital hondurenha.

"O Zelaya conta com esmagador apoio internacional. Ao mesmo tempo, para nós, depois de lá passarmos, não resta nenhuma dúvida de que o Micheletti conta com a maioria da opinião pública, tem o apoio majoritário dos hondurenhos e conta também com a totalidade absoluta das instituições", acrescentou.

O deputado conversou com a Agência Lusa por telefone durante uma escala em El Salvador, antes de retornar ao Brasil.

Além de contatos com o Supremo Tribunal de Justiça, com a Comissão Nacional de Direitos Humanos e com parlamentares hondurenhos, a delegação esteve na embaixada brasileira, onde Zelaya se refugiou em 21 de setembro.

A delegação reuniu-se com o presidente deposto, e foi recebida igualmente por Roberto Micheletti, a quem Jungmann chama de "presidente" ou "presidente de fato".

"O balanço é positivo. Acho que fizemos algumas conquistas", afirmou o parlamentar, que disse ter obtido das autoridades hondurenhas garantias de respeito à inviolabilidade da Embaixada do Brasil.

Micheletti assegurou ainda à delegação brasileira que, "em breve", levantaria as restrições impostas há uma semana aos direitos civis dos hondurenhos, assim como o toque de recolher obrigatório.

O deputado brasileiro reconheceu que persiste um impasse na crise hondurenha e reiterou a necessidade do diálogo e a realização de eleições, "com ampla liberdade, transparência e observação internacional".

Quanto a eventuais negociações entre os dois lados da crise, Jungmann disse que Zelaya nega a existência de tais conversas e afirma que aceita apenas as que passarem pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

"Mas Micheletti confirmou que existiam interlocutores de parte a parte conversando e que ele, Micheletti, aceitava renunciar (ao cargo), desde que Zelaya renunciasse", explicou.

"Já Zelaya diz que não aceita nenhuma solução na qual ele não volte à Presidência, mesmo que seja por um/dois meses, e que estava disposto a ceder parte dos seus poderes, que seriam reduzidos. Segundo ele, ficaria imobilizado, mas aceitava, e também aceitava ser julgado", acrescentou Jungmann.

"Tem de haver uma mediação internacional. O problema é fazer uma mediação eficiente e evitar que ocorra derramamento de sangue", advertiu.

A missão brasileira manifestou tanto a Zelaya quanto a Micheletti que era contra as manifestações e o incitamento à desobediência civil feito pelo presidente deposto.

"(A instigação da desobediência civil) que Zelaya promovia dentro da Embaixada do Brasil representava, indiretamente, a intervenção brasileira nos assuntos internos das Honduras", destacou Jungmann.

Zelaya foi detido e expulso de Honduras por militares em 28 de junho, na véspera de um referendo que promoveu para tentar modificar a Constituição e garantir o prolongamento de seu mandato presidencial.

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