Dublin, 3 out (Lusa) - A vitória do "sim" no segundo referendo sobre o Tratado de Lisboa constitui "um grande dia para a Irlanda e para a Europa", considerou neste sábado o primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen.
"Hoje, o povo irlandês exprimiu-se de forma clara e decisiva, é um grande dia para a Irlanda e para a Europa", congratulou-se o chefe do governo irlandês numa declaração à imprensa, antes mesmo da publicação dos resultados definitivos do referendo, que no final da tarde local acabaram apresentando 67,13% dos votos a favor do documento.
Num primeiro referendo, em junho de 2008, os irlandeses rejeitaram o tratado com mais de 53% dos votos, provocando uma grave crise institucional na União Europeia (UE).
Também o presidente da França, Nicolas Sarkozy, saudou hoje "o voto dos cidadãos irlandeses que, pela sua decisão, escolheram claramente a Europa" com o "sim" da Irlanda ao Tratado de Lisboa.
"Este voto, que coroa os esforços realizados, principalmente durante a presidência francesa da UE para encontrar uma solução para as preocupações expressas pelos irlandeses, é de grande satisfação para todos os europeus", disse o presidente francês.
Permite "cruzar uma etapa decisiva para a entrada em vigor do Tratado de Lisboa", segundo um comunicado da presidência francesa.
"A França deseja que os Estados que ainda não o fizeram concluam o mais depressa possível o seu procedimento de ratificação, para que o Tratado de Lisboa possa entrar em vigor antes do final deste ano, com os 27 já todos eles comprometidos", cita o comunicado francês.
"Compete agora à presidência sueca tomar todas as iniciativas necessárias para que o documento entre em vigor ao mais depressa possível", diz o Eliseu.
Também a Alemanha está "muito feliz" pela aprovação do Tratado de Lisboa pelos irlandeses, afirmou hoje a chanceler Angela Merkel, falando durante as celebrações do 19º aniversário da reunificação alemã, classificando a decisão irlandesa como "muito convincente".
Nas últimas horas, várias outras reações de júbilo foram expressas por personalidades e organismos internacionais, como a presidência da União Europeia, pela voz do primeiro-ministro sueco, Frederik Reinfeldt, ao afirmar que hoje foi "um bom dia para a Europa".
"Depois de todas as incertezas e de um árduo trabalho, devo dizer: hoje é um bom dia para a Europa", destacou Reinfeldt, cujo país assegura atualmente a presidência da UE até 31 de dezembro.
"O caminho foi longo. Agora, a presidência (sueca) da União Europeia vai trabalhar ativamente para chegar ao fim" deste percurso, citou Reinfeldt em comunicado, destacando que "o Conselho Europeu está unido para que o Tratado de Lisboa possa entrar em vigor antes do fim do ano".
Para entrar em vigor, o tratado terá ainda de ser promulgado pelo presidente tcheco, o euro-cético Vaclav Klaus, bem como pelo presidente polonês, Lech Kaczynski, que prometeu assinar o documento imediatamente depois do "sim" irlandês.
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, por sua vez, agradeceu hoje em Bruxelas ao povo irlandês por ter aprovado o Tratado, afirmando estar "extremamente satisfeito" com os resultados do referendo de sexta-feira no país.
"Obrigado Irlanda. É um grande dia para a Irlanda. É um grande dia para a Europa", declarou Durão Barroso em conferência de imprensa.
Em Portugal, o Presidente Aníbal Cavaco Silva felicitou ao princípio da tarde a sua colega irlandesa, Mary McAleese, pelos resultados conseguidos no referendo, que considera serem uma "importante demonstração de empenho" da Irlanda na construção europeia.
"A entrada em vigor do Tratado de Lisboa, para a qual os resultados do referendo irlandês constituem uma contribuição fundamental, permitirá à União Europeia estabilizar o seu quadro institucional", lembra o Presidente da República no site oficial.