Maputo, 4 out (Lusa) - A União Europeia vai ter mais de 100 observadores nas eleições gerais do dia 28 em Moçambique, 24 deles tendo partido neste domingo para as 11 províncias do país.
Os primeiros sete membros da missão de observação eleitoral chegaram a Maputo em 22 de setembro e têm preparado o trabalho. Há dois dias chegaram mais 24 observadores, de 15 países da União Europeia, e no dia das eleições estarão em Moçambique mais cerca de 70 observadores.
Fiona Hall, eurodeputada britânica e chefe da Missão, explicou hoje em conferência de imprensa que o trabalho dos observadores é exatamente o de observar, sem interferir no processo, e que só depois das eleições será produzido um relatório.
"Estamos em Moçambique após um convite do governo, em junho passado", explicou Fiona Hall, garantindo que a Missão avalia a conduta eleitoral segundo padrões internacionais e em cumprimento das leis do país.
Os observadores, explicou, vão verificar se são cumpridos requisitos como o de todo o cidadão ter o direito de ser eleito, de votar e de o fazer de forma secreta, se a vontade dos eleitores foi livremente expressa, se os cidadãos gozam de liberdade de expressão, de associação, de reunião e de livre pensamento, se não sofrem de qualquer tipo de discriminação e se têm segurança jurídica.
Além dos relatórios dos observadores no local, o relatório final vai também levar em conta a análise de documentos, das leis e dos resultados de encontros com os intervenientes no processo.
Fiona Hall disse que a Missão já teve até agora encontros com a Comissão Nacional de Eleições, com o Presidente da República (também candidato a novo mandato) e com os representantes dos principais partidos da oposição.
"Os observadores distinguem entre rumores e fatos. Só fatos com testemunhos e verificados vão ser considerados", avisou a chefe da Missão, explicando que "alguns dias" depois das eleições será produzido um relatório preliminar e que dois meses depois será divulgado o relatório final, com recomendações e considerações sobre o clima democrático em geral.
Os observadores provêm de 23 dos 27 países da União Europeia e também do Canadá.
Rumiana Decheva, a única búlgara no grupo, é uma das observadoras que hoje partiu para as províncias. Com outro membro vai seguir o processo eleitoral em Niassa, como explicou à Lusa, ainda em Maputo.
A observadora não conhecia Moçambique, mas garantiu que as equipas estão bem preparadas para "acompanhar todas as atividades ligadas ao processo" e que no caso de Niassa irão a todos os lugares que seja possível.
"Está tudo muito bem organizado, teremos motorista e um assistente, para ajudar na tradução", afirmou.
Fiona Hall já participou em missões idênticas na Etiópia, Angola e República Democrática do Congo e foi chefe de missão no Togo.
Dia 28, cerca de 10 milhões de moçambicanos vão escolher o novo Presidente da República e os deputados para a Assembleia da República e para as Assembleias Provinciais.