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05/10/2009 - 08h49

Cuidado contra gripe A muda hábitos de higiene em Portugal

Lisboa, 5 out (Lusa) ? Em Portugal, os apertos de mão são hoje menos comuns, os beijos evitam-se e os frascos de desinfetante fazem parte da "mobília". Há quem fale de exageros por causa da gripe A, mas é inquestionável a melhoria dos hábitos de higiene.

Quase seis meses após as primeiras notícias sobre uma nova gripe, que começou chamando-se de suína e agora é simplesmente A, os portugueses começam a habituar-se às medidas de prevenção e as autoridades reconhecem mudanças para melhor.

"Acreditamos que, depois da atividade epidêmica, que pode demorar até dois anos, teremos ganhos de saúde", disse à Agência Lusa o diretor-geral da Saúde, Francisco George.

Para o especialista em saúde pública, após a pandemia, e de uma forma até subconsciente, "os portugueses irão adotar comportamentos com menos risco, não só através da lavagem das mãos, como pela utilização de lenços de papel e mediante a etiqueta respiratória que evita transmitir, através do espirro e da tosse, partículas virais que existem nas gotículas".

O medo da gripe A tem conduzido, de fato, a mudanças comportamentais, começando pelo olhar de censura diante de alguém que espirra sem tapar a boca, principalmente com o braço ou um lenço de papel.

Os frascos de desinfetante tornaram-se quase onipresentes, para regozijo dos que os comercializam, embora existam dúvidas sobre a verdadeira necessidade de recorrer a estes produtos.

Cristina Costa, responsável pela Divisão de Segurança do Doente, do Departamento da Qualidade na Saúde, Direção-Geral da Saúde (DGS), explicou à Lusa que, na comunidade, "será suficiente garantir locais estratégicos em que se encontrem disponíveis lavatórios, sabão líquido e equipamentos para secagem de mãos".

"O recurso a soluções antisséticas só se justifica em locais onde é de todo impossível colocar lavatórios devidamente equipados", destacou.

Por outro lado, frisou, estas soluções "só são eficazes se as mãos não estiverem visivelmente sujas".

Cristina Costa reconhece que uma correta lavagem das mãos, sempre defendida pelos profissionais de saúde, é agora um objetivo "mais fácil de alcançar porque a situação de pandemia contribuiu para difundir conhecimentos que de outra forma não teriam tanto impacto".

"O público está mais receptivo a este conhecimento e procura-o ativamente".

A lavagem das mãos não é o único hábito que mudou por causa da gripe A. Os apertos de mão começam a ser menos frequentes, os beijos em estranhos evitam-se e até há bares em que os empregados não tocam nas palhinhas para não serem transmissores de uma possível infecção.

Cristina Costa reconhece a mudança. "Para melhor. Estamos mais conscientes dos modos de transmissão das infecções e das formas de as evitar e isso é muito positivo".

Por esta razão, a especialista considera que os portugueses irão "herdar" da gripe A "melhores hábitos de higiene das mãos e respiratória".

"Maior conhecimento quanto às formas de transmissão das infecções e formas de as prevenir, que os antibióticos não devem ser tomados quando temos gripe, que é uma infecção viral para a qual os antibióticos não são eficazes e mais responsabilidade pela nossa saúde e pela dos outros" são algumas das previsíveis heranças da gripe A.

Também Francisco George adivinha benefícios no futuro. "Vamos sair deste período mais crítico com ganhos. Vamos ficar melhor do que estávamos em termos gerais, com comportamentos e estilos de vida mais saudáveis", concluiu.

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