Maputo, 5 out (Lusa) - Os programas dos três principais partidos moçambicanos para as eleições do dia 28 estão recheados de promessas, com a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder, propondo a consolidação da unidade nacional, enquanto a oposição aposta no "apartidarismo do aparelho do Estado".
Os panfletos eleitorais das três formações políticas coincidem nas promessas de mais habitação, energia, água e saneamento, melhor educação e mais saúde, mais oportunidades para as empresas nacionais e combate à pobreza e à corrupção.
Faltando menos de um mês para as eleições gerais - presidenciais, legislativas e provinciais -, que acontecem no dia 28, a Frelimo, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) já fizeram centenas de ações de campanha em todo o país, mas os panfletos eleitorais raramente são distribuídos, já que as legendas escolhem mensagens mais diretas e fáceis de assimilar.
A Frelimo foi o primeiro partido a apresentar o programa eleitoral e o que mais fez questão de divulgá-lo, através de um documento extenso, com centenas de promessas, como consolidar a unidade nacional, a boa governança, a paz e a democracia, além do combate à pobreza e à corrupção.
Em termos gerais, o programa eleitoral do partido no poder está centrado na melhoria das condições de vida da população, e condena, ao mesmo tempo, "todos os fatores de divisão, baseados em tribo, origem étnica, raça, religião e todas as manifestações que possam levar risco à unidade nacional".
Com o slogan "A Frelimo é que fez, a Frelimo é que faz", o partido quer tornar cada distrito a base de desenvolvimento econômico e social, e promover uma "revolução verde".
A Renamo, maior partido da oposição, optou por um programa generalista e pouco ambicioso, prometendo acabar com as células partidárias nas instituições do Estado, como escolas, hospitais ou ministérios.
O panfleto do MDM, o novo partido criado pelo prefeito da Beira, Daviz Simango, também está cheio de referências à Frelimo, mas sem citar o adversário.
O documento afirma que, nos últimos 10 anos, Moçambique retornou, de forma velada e gradual, ao monopartidarismo.
Sob o lema "Moçambique para todos", o MDM diz que foi criado para combater o "crescente dirigismo e centralismo", a "velada e gradual negação de liberdades, deveres e direitos" constitucionais, e o "desrespeito flagrante" da legislação por parte da elite política e do governo, além de um "partidarismo da função pública" e de "abuso de poder".
O partido também diz ter surgido para impedir que a Frelimo obtenha a maioria de dois terços nas eleições legislativas, o que lhe permitiria "alterar a Constituição a seu bel-prazer e assegurar a perpetuação do atual presidente da República no poder (Armando Emílio Guebuza)".
O MDM faz ainda várias promessas, desde a limitação de poderes do presidente, a criação da Polícia Judiciária, a redução dos impostos e luz para todos, até mais transportes e casas para jovens, que ganharão também um Cartão Jovem e Albergues da Juventude.
Sob o lema "O melhor de Moçambique são os moçambicanos", a Renamo é mais contida, mas promete também um pouco de tudo, desde mais água potável até a retirada de todas as minas terrestres do país, mais justiça e saúde e mais respeito pelo poder tradicional.