Maputo, 7 out (Lusa) - O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) de Moçambique precisará de um máximo de 750 milhões de meticais (R$ 47,99 milhões) para enfrentar eventuais desastres naturais, incluindo terremotos e ciclones, em 2010.
O Plano de Contingência, apresentado pelo INGC nesta quarta-feira em Maputo, se refere aos meses de janeiro e março do próximo ano e prevê valores que variam entre 580 milhões de meticais (R$ 37,16 milhões) e quase R$ 48 milhões para três cenários.
Para o primeiro cenário, que consiste em uma ameaça de pequena magnitude, o INGC acha que serão necessários R$ 37,16 milhões, o valor mais baixo, enquanto para o segundo cenário, de média magnitude, poderão ser gastos pouco mais de 605 milhões de meticais (R$ 38,7 milhões).
Para o cenário de grande magnitude, o terceiro, que engloba terremotos e ciclones, a proposta do INGC, a ser entregue esta semana ao governo moçambicano, calcula em R$ 47,99 milhões o valor necessário para reduzir o impacto dos desastres naturais.
Em 2008, o valor proposto foi de 1,2 bilhão de meticais (R$ 75 milhões), dos quais o Governo de Maputo disponibilizou 120 milhões de meticais (R$ 7,48 milhões), mas "que não foi necessário usar", segundo informou nesta quarta à Agência Lusa o diretor-geral do INGC, João Ribeiro.
AçõesEm entrevista à Lusa, Ribeiro disse que as previsões para os três primeiros meses do próximo ano indicam que as três regiões do país terão cenários hidrológicos diferentes.
Moçambique vai enfrentar "seca na região sul, cheias médias nas bacias do centro (Búzi, Save e Licongo) e cheias altas nos rios Zambeze e Messalo", norte, explicou João Ribeiro após uma reunião de apresentação do Plano de Contingência 2009-2010.
Atualmente, a seca afeta 2.000 pessoas dos distritos áridos e semi-áridos (regiões cuja precipitação é baixa) da província de Maputo, atendidos pelo INGC.
"Na província de Maputo, a situação é bastante grave. Em alguns povoados dos distritos de Magude e Moamba houve necessidade de se fazer uma intervenção de abastecimento de água às populações, porque percorriam mais de 50 quilômetros" para captar água, disse.
Em 2008, 100 mil vítimas da seca foram atendidas pelo Instituto, frente às atuais 2.000, redução que se deveu a "muitas ações do Plano Econômico e Social realizadas nesses distritos, e que começa a minimizar este problema da falta de água", disse João Ribeiro.
"Em função destes fenômenos, estamos a avaliar que ações temos que realizar na questão da prontidão, de pré-posicionamento de bens alimentares e não alimentares, e as respectivas medidas de prevenção", afirmou o responsável do INGC.
Já na próxima semana, "vamos realizar simulações regionais e distritais no sentido de estarmos mais preparados para situações que possam surgir", afirmou João Ribeiro.