Luanda, 8 out (Lusa) - Mais de 1.000 angolanos expulsos da República Democrática do Congo estão concentrados junto à fronteira de Kimbata, Uíge, e são esperados mais 15 mil no mesmo local, afirmou o governador da província, Mawete Baptista.
"Mais de 15 mil pessoas encontram-se a caminho em direção a fronteira de Kimbata expulsos de forma triste pelas autoridades do país vizinho, não sendo angolanos ilegais naquele território", lamentou Mawete Baptista, citado pela imprensa estatal angolana.
A expulsão de angolanos começou na segunda-feira depois de o Parlamento de Kinshasa ter aprovado uma autorização legal. Embora sem números oficiais, já são milhares de cidadãos angolanos expulsos pela população congolesa para as fronteiras, com destaque para as províncias angolanas de Cabinda, Zaire e Uíge.
Angola e o Congo partilham uma fronteira de dois mil quilômetros e em mais de uma dezena de postos fronteiriços foram registrados agrupamentos de pessoas que deixaram a Repúblia Democrática do Congo, alguns após dezenas de anos de permanência no país vizinho.
As autoridades provinciais e o Ministério da Reinserção e Assistência Social estão enviando equipes até as fronteiras para ajudar e apoiar os repatriados com bens essenciais, como barracas, roupas e alimentos.
SituaçãoAlém de Kimbata, no Uíge, onde o governador local, Mawete Baptista, já alertou para a chegada em breve de mais 15 mil pessoas, Pedra do Feitiço, no Zaire, concentra o maior número de repatriados.
Diante deste cenário, onde o número de angolanos expulsos nas fronteiras cresce a cada dia, o chefe de Estado Maior das Forças Armadas angolanas, general Francisco Furtado, já disse, em declarações à Lusa, que Luanda não deve responder com medidas semelhantes.
Francisco Furtado ressaltou que existem mais de um milhão de congoleses em Angola e que os angolanos que estão saindo não são ilegais, pois muitos são estudantes, refugiados de guerra e pessoas que ali viviam há mais de 30 anos com a sua situação regularizada.
"Mas os congoleses repatriados de Angola são todos ilegais que se dedicavam ao garimpo ilegal de diamantes", apontou o general.
O governo já criou uma comissão, liderada pelo vice-ministro das Relações Exteriores, George Chicoty, que vai negociar com as autoridades de Kinshasa uma solução para o problema.
Os angolanos expulsos da região de Muanda, no Baixo Congo, relataram que algumas rádios locais estão a lançar apelos à população para perseguirem angolanos em retaliação pelas expulsões de Angola.
Os congoleses que foram expulsos de Angola são apontados pelos angolanos repatriados como os principais protagonistas das perseguições a angolanos em território congolês.