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09/10/2009 - 14h24

Confundidos com congoleses, angolanos apanham em Luanda

Luanda, 9 out (Lusa) - Cidadãos angolanos da etnia bakongo estão sendo agredidos por seus conterrâneos, que os confundem com congoleses da República Democrática do Congo (RDC), cujas características físicas são idênticas.

Fonte da polícia conversou nesta sexta-feira com a Agência Lusa e disse ter sido informado de "algumas situações de desordem" registradas entre estas quinta e sexta-feira em algumas áreas da periferia da capital angolana.

Segundo a fonte, que pediu para não ser identificada, os tumultos aconteceram na região de Cipal, município de Cazenga, e no mercado do Kikolo, em Cacuaco.

Os relatos indicam que cidadãos foram agredidos e tiveram alguns seus pertences furtados na confusão.

Lukau Manuel, natural da província do Uíge, vive em Petrangol, bairro onde moram muitos cidadãos de origem bakongo, e trabalha na zona da periferia. Em entrevista à Lusa, ele disse que, nesta sexta, ao voltar para casa, vai procurar um caminho "mais seguro".

"A minha mulher ligou-me a avisar para ter cuidado quando estiver a regressar e para não sair muito tarde do serviço, porque estão atacando os bakongo, pensando que são congoleses", afirmou Lukau Manuel, que acrescentou que voltará pela zona da Cuca, porque esse caminho é mais policiado.

Em entrevista à Lusa, Elisa Landu, natural do município do NZeto, província do Zaire, pediu às autoridades que encontrem formas de resolver a situação "de forma pacífica e com calma".

"A minha mãe vive na RDC desde os anos 60, na província de Matadi, e já recebemos a informação de que ela vai regressar, só não sabemos quando e estamos à espera", lamentou.

Senga Fundi, outro angolano natural do Uíge, disse não ter informações sobre esses casos, no município de Samba, onde mora, mas teme que possam acontecer.

Para ele, a situação é complicada, porque em Angola são tratados como congoleses e, na RDC, como angolanos. Por isso, neste momento, "os bakongo não têm país".

Os bakongo ocupam o noroeste do país, entre o mar e o rio Cuango, nas províncias de Cabinda, Zaire e Uíge.

No final do século 15, os bakongo entraram em contato com os portugueses, que tornaram este reino um aliado na expansão africana e no comércio com o interior. Para reforçarem o poder do soberano, ele foi convertido ao catolicismo, enquanto a aristocracia recebeu títulos de nobreza semelhantes aos europeus.

Mais tarde, os portugueses se estabeleceram em Angola, que foi ganhando uma importância progressiva. O reino do Congo perdeu força e interesse e, com o passar do tempo, foram desaparecendo a cultura e a influência cristãs.

Angola e RDC compartilham uma fronteira terrestre de mais de 2 mil quilômetros e, por isso, as características físicas e culturais desses povos não são muito diferentes.

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