Luanda, 9 out (Lusa) - O ministro angolano da Defesa, Kundi Paihama, disse nesta sexta-feira, em Benguela, que Angola sofre "uma invasão silenciosa", ao se referir ao elevado número de cidadãos estrangeiros ilegais que estão no país.
"Uma das maiores preocupações da conjuntura atual tem a ver com o fenômeno da imigração ilegal decorrente da vulnerabilidade das nossas fronteiras, o que causa a extração dos recursos minerais por parte dos cidadãos que afluem ao interior do país, com destaque para as áreas de exploração diamantífera", disse Paihama em discurso na cerimônia pelos 18 anos de criação das Forças Armadas Angolanas (FAA).
A imigração ilegal, segundo o ministro angolano, tem representado, nos últimos tempos, "uma das maiores preocupações das autoridades angolanas", por se constituir "uma ameaça à segurança nacional e estabilidade econômica e social do país".
Paihama afirmou que a expulsão de angolanos da República Democrática do Congo (RDC) não vai inibir o governo angolano de continuar as operações de combate à imigração ilegal no país.
No entanto, o ministro angolano da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua, foi nesta sexta-feira à província do Zaire, norte de Angola, para se informar sobre as condições de acolhimento dos cidadãos angolanos expulsos da República Democrática do Congo.
Segundo o governante, já foram repatriados para o país cerca de 13 mil angolanos, que encontram refúgio nas províncias de Cabinda e Lundas Norte e Sul. Na província do Zaire estão abrigadas 11.612 pessoas e no Uíge, 1.079.
Desde segunda-feira, as autoridades governamentais congolesas expulsam cidadãos angolanos em situação legal e ilegal do país vizinho, depois de o governo angolano ter deportado de Angola cerca de 150 mil congoleses, que faziam exploração ilícita de diamantes.
Kussumua vai manter contatos na província do Zaire com as autoridades locais no sentido de encontrarem as melhores formas de apoiar essas populações.
No Zaire, província que abriga o maior número de repatriados, foram instaladas 200 tendas nas localidades de Luve, Noqui, Wimbe, Pedra do Feitiço e Soyo, e foram disponibilizadas 217 toneladas de alimentos e outros bens.
O ministro ressaltou que a reintegração familiar dessas pessoas é uma das formas de resolver o problema, e as autoridades governamentais já deram início ao processo, que permitiu reintegrar 361 pessoas.
De acordo com Kussumua, a intervenção humanitária do governo tem como objetivo solucionar "a situação precária" que os angolanos vivem.