Lisboa, 12 out (Lusa) ? O primeiro-ministro luso, José Sócrates, anunciou nesta segunda-feira que irá ouvir nesta semana os partidos para dar início ao processo de constituição do governo para os próximos quatro anos, manifestando-se disponível para dialogar sem "reserva mental" e "preconceitos".
"Vou reunir esta semana com os partidos políticos, com todos os partidos políticos, com vista a apurar da disponibilidade dos partidos para darem um contributo para a governabilidade e para a resolução dos problemas do país", afirmou Sócrates após uma audiência com o presidente português, Aníbal Cavaco Silva.
Destacando que se trata de "um gesto de aproximação e um gesto de diálogo", ele afirmou a necessidade do país ter "um governo para quatro anos", estável e que tenha condições para responder aos problemas do país.
"Quero assegurar-vos que a minha vontade é estabelecer um quadro de diálogo político que permita ao país ter a consciência que necessita de ter um governo de quatro anos e um Governo estável, que responda aos problemas do país", enfatizou.
Questionado se das reuniões com os partidos já poderão sair acordos, o primeiro-ministro recém nomeado disse tratar-se de uma questão que dependerá das primeiras conversas, mas garantiu não colocar "nada de lado".
Contudo, acrescentou, "alguma possibilidade de entendimento necessitará de reuniões subsequentes para dar conteúdo a esses entendimentos".
Insistindo na ideia da criação de "um novo clima político" de "diálogo", Sócrates ressalvou que existe uma "grande diferença" entre o que foi dito durante a campanha eleitoral e aquilo que é agora dito, já depois de ter sido indigitado para o cargo de primeiro-ministro.
"É preciso um governo para quatro anos, um governo que não teve maioria absoluta precisa de dialogar, é isso que estou a fazer", reiterou, reafirmando a sua "vontade de compromisso" e "a vontade de quem estende a mão".
Contudo, Sócrates se recusou a delimitar quaisquer limites para a sua disponibilidade, assegurando partir para o diálogo sem preconceitos.
"Não parto para esse diálogo com preconceitos ou com a intenção de apenas encenar o diálogo. Parto com a vontade de estabelecer um diálogo político com todos os partidos. Acho que esse é o meu dever. Não se parte para esse diálogo impondo condições ou com reserva mental ou com preconceitos", declarou.
Em relação ao futuro corpo executivo, o primeiro-ministro adiantou que só começará a pensar nele depois das conversas com os partidos, para as quais parte "com espírito aberto e de coração limpo".
"Não podemos ter atitude precipitadas, o Governo precisa de ser feito depressa e bem. Há sempre um compromisso a obter entre a pressa e a qualidade política do Governo", concluiu.