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13/10/2009 - 10h44

Consultas sobre escudo antimíssil vão continuar, diz Rússia

Moscou, 13 out (Lusa) - A Rússia e os EUA continuarão a realizar consultas sobre o novo sistema de defesa antimíssil, proposto pelo presidente norte-americano, Barack Obama, para substituir o projeto de instalação de mísseis interceptores na Polônia e um radar na República Tcheca.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse que Moscou espera um acordo bilateral na área.

"As conversações continuam, esperamos conseguir, após essas consultas, chegar a uma posição comum sobre a continuação dos trabalhos, que permitirá juntar os nossos esforços aos dos europeus e de outros países interessados, trabalhar conjuntamente na análise e neutralização dos riscos de difusão de mísseis no mundo", declarou Lavrov, após um encontro com sua colega norte-americana, Hillary Clinton.

No final do encontro, o chefe da diplomacia russa destacou: "As conversações irão continuar. Nós saudamos esse trabalho".

O governo de George W. Bush planejava instalar até 2013 dez mísseis interceptores na Polônia e um radar de defesa antimíssil na República Tcheca, a pretexto da neutralização de uma suposta ameaça dos mísseis do Irã.

Além disso, Moscou considerou que esse projeto ameaçava a sua segurança e o novo presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou em 18 de agosto a criação de um escudo antimíssil "mais moderno e eficaz" e que não causaria apreensões na Rússia.

Por sua vez, a secretária de Estado norte-americana disse ter transmitido à Rússia a concepção do seu país sobre a nova avaliação das ameaças da parte do Irã e espera de Moscou cooperação na questão.

"Descrevemos ao senhor ministro e a outros funcionários as bases da nossa avaliação da ameaça. Compartilhamos esta concepção com os nossos colegas russos, os nossos especialistas precisam agora os detalhes e gostaríamos de ver os Estados Unidos e a Rússia cooperando estreitamente na questão do escudo antimíssil", frisou Clinton.

"Estamos muito interessados em trabalhar com a Rússia no desenvolvimento de relações de cooperação, incluindo a avaliação conjunta das ameaças e a consolidação dos nossos esforços para a criação de um centro de dados sobre essa questão", acrescentou.

Irã

Por outro lado, Lavrov considerou que nem todos os métodos diplomáticos e políticos estão esgotados no que diz respeito ao programa nuclear do Irã, destacando que não devem ser tomadas sanções à margem do Consellho de Segurança da ONU.

"Olhamos de forma muito contida contra as sanções, elas raramente dão resultado", afirmou.

"Não nos encontramos nesse ponto (quando as sanções são inevitáveis), essa não é a conclusão a que chegamos", respondeu Clinton.

"Queremos dizer claramente que preferimos que o Irã trabalhe com a comunidade mundial, representada no formato 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - França, Estados Unidos, Reino Unido, Rússia e China - e Alemanha", acrescentou.

Clinton frisou também que a política dos Estados Unidos em relação ao programa nuclear norte-coreano não sofreu alterações.

Lavrov aproveitou a oportunidade para anunciar que o primeiro voo de um avião militar norte-americano para o Afeganistão, através do território russo, foi realizado em 7 de outubro.

O ministro russo acrescentou que o seu país está esperando do convite da Otan para participar nas discussões sobre a situação no Afeganistão.

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