Lisboa, 14 out (Lusa) - A Declaração de Lisboa que resultará da cúpula Ibero-americana do Estoril, de 30 de novembro e 1° de dezembro, visará "criar consciência" nos governos para a importância da inovação, declarou nesta quarta-feira o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias.
Inovação e Novas Tecnologias é o tema da 19ª cúpula do bloco de 22 nações (20 da América Latina, Portugal e Espanha).
"Vamos ter uma Declaração sobre a importância do tema para criar consciência nos governos para a necessidade de políticas integradas de inovação e conhecimento em todos os países", disse Enrique Iglesias à Agência Lusa.
A reunião permitirá ainda a identificação de "programas específicos de cooperação", que serão analisados antes numa reunião dos ministros dos vários países responsáveis pela inovação e tecnologias, em 9 e 10 de novembro em Lisboa, adiantou.
Considerando que a produtividade dos investimentos na educação e na saúde na América Latina é baixa, o secretário-geral ibero-americano defendeu uma aposta na inovação em relação a estes setores.
"Se existe área importante para inovar é naquelas áreas sociais onde temos recursos escassos para tantas necessidades e onde a produtividade deve aumentar", disse.
Enrique Iglesias falava à Lusa no final da sua intervenção no Fórum Portugal e a Comunidade Ibero-americana de Nações, que ocorre na Universidade Autónoma de Lisboa.
O responsável falou sobre os principais eixos da política ibero-americana, tendo considerado que "Portugal é um sócio estratégico" nesta comunidade.
"Sei que Portugal tem muito interesse na comunidade", afirmou, lembrando ser esta a segunda vez que o país recebe uma cúpula, depois da do Porto em 1998.
Enrique Iglesias destacou ao nível daquela primeira cúpula em Portugal a criação da Secretaria de Cooperação Ibero-americana, a primeira estrutura institucional permanente.
Quanto à reunião do Estoril, constituirá uma oportunidade para analisar as grandes linhas da sociedade e da economia do futuro, além da inovação ligada às alterações climáticas, considerou, assinalando em relação a este último ponto que a reunião acontece pouco antes do encontro mundial do clima, em Copenhague.
O "papel estratégico" de Portugal passa ainda, segundo o responsável, pela sua ligação à África e a União Europeia, que tem no seu futuro o Tratado de Lisboa.