Pequim, 15 out (Lusa) - O governo chinês ofereceu vacinas contra a gripe A (H1N1) aos 12.700 peregrinos chineses que vão este ano a Meca, anunciou nesta quinta-feira a Associação Islâmica da China.
Os peregrinos, oriundos de 27 províncias e com uma média de idade de 60 anos, serão acompanhados por uma equipe médica composta por 24 técnicos, disse o vice-presidente da associação, Yang Zhibo.
Além das vacinas e do acompanhamento médico o Ministério da Saúde chinês ofereceu máscaras e medicamentos, anunciou também a Associação Islâmica da China. Os peregrinos viajarão em voos fretados entre 30 de outubro e 17 de novembro.
Mais de três mil dos peregrinos chineses que vão este ano a Meca são de Xinjiang, disse Yang Zhibo.
O anúncio coincide com novas condenações à morte relacionadas com os violentos tumultos étnicos em Urumqi, capital de Xinjiang, em julho passado, que causaram 197 mortos e cerca de 1.700 feridos.
Seis pessoas, cinco deles uigures, a principal etnia de Xinjiang, região autônoma chinesa de cultura turcófona e religião muçulmana, foram hoje condenadas à morte, elevando para 12 o número de penas capitais pronunciadas pelo Tribunal de Urumqi desde o início da semana.
Urumqi é a capital de Xinjiang (noroeste), região rica em petróleo e gás natural, que confina com várias ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central.
Os tumultos étnicos de julho foram considerados os mais violentos do gênero desde a proclamação da República Popular da China, há 60 anos.
O governo chinês atribuiu a responsabilidade dos tumultos a uma organização separatista uigure, com sede nos Estados Unidos
Os uigures constituem cerca de 45% dos 21 milhões de habitantes de Xinjiang, mas há 60 anos eram quase 90%.
Milhões de han - a maior etnia da China - estabeleceram-se nas últimas décadas na região e na capital, Urumqi, são já a maioria. Mais de dois terços das vítimas mortais dos tumultos de julho foram também han.
Os tumultos ocorreram após um protesto pela morte de dois operários uigures numa rixa num dormitório de uma fábrica na província de Guangdong, sul da China.
Em relação a 2009, o número de peregrinos chineses a Meca aumentou mais de 20%, passando de 10.000 para 12.700, disse a agência noticiosa oficial chinesa.