Maputo, 16 out (Lusa) - Armando Guebuza, candidato a presidente de Moçambique, elege a luta contra a pobreza e corrupção, e o reforço da unidade nacional e da boa administração como prioridades para os próximos cinco anos de mandato.
Se ganhar as eleições de dia 28, o atual presidente moçambicano e candidato da FRELIMO pretende também um "melhor funcionamento das instituições" e promete uma atenção especial à "cultura de prestação de contas", sobretudo num cenário de elevado índice de corrupção, apontado por estudos internacionais.
Armando Emílio Guebuza propõe ainda, "na área da soberania, a continuação da modernização das forças de defesa e segurança, e no plano internacional trabalhar no sentido do reforço da amizade com governos e povos estrangeiros", afirmou em entrevista à Agência Lusa, quando se aproxima o fim da campanha para as eleições presidenciais, legislativas e provinciais do dia 28.
Questionado se nesse reforço se inclui Portugal, o candidato sorri e afirma diversas vezes que essas relações "são excelentes" e que nunca foram tão boas como atualmente.
A grande causa apontada pelo candidato é a luta contra a pobreza. Diz Guebuza que é preciso encontrar novas estratégias e melhorar a utilização dos "sete milhões", uma iniciativa do seu Governo de atribuição de sete milhões de meticais (170 mil euros) a cada distrito para projetos
de combate à pobreza.
Moçambique está classificado entre os 50 países mais corruptos num índice divulgado pela Transparência Internacional e o tema é constante na imprensa nacional e tem sido abordado na campanha do candidato da FRELIMO.
Armando Guebuza diz que não se deixa impressionar com aspectos midiáticos e que "está a atacar o problema do ponto de vista estrutural".
Para o candidato, a luta à corrupção "está avançando, permitindo que as instituições funcionem livremente e levando os funcionários públicos a terem uma atitude diferente".
"Realizando isso teremos feito quase metade dos trabalhos para combater a corrupção", garante.
Guebuza assegura também que num cenário de maioria qualificada poderá haver uma revisão da Constituição, mas só "em questões do interesse da Nação", não dando detalhes.
A oposição acusa o partido no poder, FRELIMO, de estar lutando por uma maioria de dois terços no parlamento, para alterar a Constituição e Guebuza concorrer a um terceiro mandato.
O candidato no entanto já desmentiu e garante que, caso ganhe, o próximo mandato será o último.
"A Constituição é um documento fundamental que toca a todos os moçambicanos e por conseguinte qualquer mexida na Constituição tem de ter em conta os interesses da Nação, claramente entendidos como tal por toda a Nação", ressalvou.
Esperando um bom resultado nas três eleições do dia 28, Guebuza só lamenta alguma violência na campanha: "Comparando com outros momentos não temos tido muita violência. O nosso objetivo obviamente é que não haja absolutamente nada e vamos continuar a batalhar."
Armando Guebuza disputa o cargo de presidente da República com Afonso Dhlakama, da RENAMO, e Daviz Simango, prefeito da Beira e líder do Movimento Democrático de Moçambique, força política criada recentemente.