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16/10/2009 - 11h34

Especialista vê conselho de comunidades brasileiras distante

Rio de Janeiro, 16 out (Lusa) - A criação de um conselho representativo das comunidades brasileiras no exterior, à semelhança do Conselho das Comunidades Portuguesas, ainda é um desafio, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Portugal (ABP).

"Um conselho representativo é importante, mas, é mais importante a coesão, a união das associações de imigrantes dentro de um determinado país. Primeiro arrumamos a casa por dentro e depois alargamos o universo", disse Ricardo Amaral Pessoa, considerando que não será fácil criar uma tal estrutura a nível europeu.

Amaral Pessoa é membro do Conselho Consultivo para os Assuntos da Imigração junto ao governo português e falou à Agência Lusa, no Rio de Janeiro, durante a 2ª Conferência das Comunidades Brasileiras no Exterior.

Segundo Amaral Pessoa, o encontro, que reúne representantes das comunidades brasileiras dos cinco continentes, pretende dar "passos mais alargados" no sentido de acordar para a criação do citado conselho.

"A sua criação não pode ser precipitada em duas reuniões. Penso que daqui a mais um ano a gente já terá maturidade e experiência a nível mundial", opinou.

Segundo estimativas do Itamaraty, sede do ministério das Relações Exteriores, cerca de três milhões de brasileiros vivem hoje no exterior.

Portugal, por ser uma porta de entrada para a Europa e pela aproximação linguística, tem sido um destino crescente de brasileiros desde a última década. Vivem em território português 107 mil brasileiros em situação regular e aproximadamente 30 mil irregulares, sendo esta a maior comunidade de imigrantes em Portugal.

A faixa etária do imigrante brasileiro é, em sua maioria, jovem, entre 20 e 35 anos, mas o perfil profissional diversificou muito, explicou o representante da Associação Brasileira.

Segundo citou, atualmente, 20% da população brasileira que reside em Portugal é altamente qualificada.

"Quando houve a Expo 98 que colocou o Portugal em destaque, o país precisava fazer uso da mão-de-obra imigrante. Foi a chamada mão-de-obra não qualificada que fez crescer Portugal nas autoestradas", disse, adiantando que, naquela época, o país "não tinha estrutura para crescer se não fossem os imigrantes".

E o brasileiro, por uma facilidade de comunicação e adaptação, foi muito utilizado. "Em Portugal começou a crescer substancialmente o número de brasileiros. Há duas décadas havia no máximo 15 mil".

Segundo Amaral Pessoa, que reside em Portugal há 20 anos, a crise financeira está dificultando a vida dos imigrantes no país.

"O maior problema é a crise que afeta o mundo e Portugal não é a exceção. Muitas empresas estão fechando, muitos trabalhadores estão sendo despedidos, isso acaba por criar um filtro onde só ficam os melhores", admitiu.

Embora o brasileiro tenha uma "receptividade muito respeitosa em Portugal", frisou, muitos perderam o emprego neste último ano.

Amaral Pessoa disse ainda que as questões de imigração são um assunto constante da agenda das autoridades brasileiras e considerou que Portugal está aberto e constituem uma "exceção" os casos de retorno de brasileiros que são barrados nos aeroportos.

"Portugal não exige visto para entrar. É uma exceção (o retorno), a cada mil pessoas que chegam por dia, voltam 20 ou 30, esta é a informação que obtemos através do serviço de estrangeiros e fronteiras", concluiu.

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