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16/10/2009 - 15h25

Conservadores britânicos prometem avanços contra pobreza

Por Bruno Manteigas, Agência Lusa

Londres, 16 out (Lusa) - O combate à pobreza representa um dos fracassos dos governos trabalhistas de Tony Blair e Gordon Brown e, consequentemente, um dos trunfos no discurso dos conservadores britânicos, que têm os olhos nas eleições do próximo ano.

O tema da pobreza e exclusão social, que tradicionalmente não surge associado ao partido de Margaret Thatcher, foi um dos que mais aplausos recebeu no discurso do líder conservador, David Cameron, no congresso anual em Manchester, há uma semana.

Cameron arrancou uma ovação dos militantes quando acusou o governo trabalhista de ter feito "os pobres ainda mais pobres".

O primeiro-ministro, Gordon Brown, discordou, reivindicando ter retirado 900 mil aposentados da pobreza. Mas, os resultados dos trabalhistas, ao fim de 12 anos no poder, ficaram aquém das expectativas.

Objetivo

Em 1999, dois anos depois da primeira eleição, Tony Blair prometeu reduzir para metade as 3,4 milhões de crianças pobres no país em 2010 e apostou na erradicação da pobreza infantil em 2020.

As estatísticas constataram que em 2007 e 2008 havia os mesmos 2,9 milhões de crianças vivendo na pobreza que nos 12 meses anteriores e o Instituto de Estudos Fiscais prevê que em 2010 serão 2,3 milhões, 600 mil a mais do que o número pretendido.

Em termos gerais, estima-se que existam 11 milhões de pobres - pessoas com um rendimento inferior a 60% da média -, dos quais 2,9 milhões são crianças, 5,6 milhões adultos e 2,5 milhões aposentados.

O governo trabalhista implantou algumas medidas, como a criação do salário mínimo, aplicou milhões de libras em subsídios às famílias, incapacitados, desempregados e aposentados, investiu nas creches e incentivou os horários flexíveis de trabalho. Mas os resultados positivos dos primeiros anos estagnaram.

Avanço da pobreza

"O que sabemos de recessões anteriores é que não houve grande impacto na pobreza", avaliou Chris Golden, analista da Fundação Joseph Rowntree, em entrevista à Agência Lusa.

A propagação da pobreza à classe média "é um mito", mesmo que mais pessoas qualificadas tenham perdido os empregos nesta crise, considera.

O desemprego é maior nas "profissões não qualificadas e no Reino Unido está atingindo regiões que foram afetadas no passado e que ainda estão se recuperando das [crises] anteriores".

"Mais pessoas descerão à pobreza extrema", afirmou, citando os desempregados solteiros e os casais sem filhos, grupos que têm sido "deixados para trás" na última década.

De uma forma complementar, algumas organizações não governamentais têm feito um trabalho importante no combate à pobreza, com destaque para a Citizens Advice Bureau, que ajuda nos pedidos de subsídios e na redução das dívidas.

Mas a ação do governo continua a ser essencial nesta área e, tendo em conta que está em causa perto de um quinto da população britânica, na sua maioria eleitores, a questão vai subir na agenda política, prevê Golden.

Além disso, a pobreza "pode desempenhar um papel importante nas eleições, porque no passado esteve muito associada ao partido trabalhista e os conservadores vão querer combater no terreno dos trabalhistas".

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