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16/10/2009 - 17h07

Presidente pede salto na qualidade do ensino em Portugal

Lisboa, 16 out (Lusa) - O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, afirmou nesta sexta-feira que seu país precisa "ir muito mais longe na qualidade e competitividade" da educação e formação, apontando uma "significativa desvantagem" em nível europeu.

Cavaco Silva, que participou da cerimônia comemorativa do centésimo aniversário do Liceu Camões, em Lisboa, afirmou que "é no campo do conhecimento e das qualificações que Portugal tem ainda uma significativa desvantagem em relação aos outros países da Europa".

O presidente luso destacou os "progressos notáveis" das últimas décadas na generalização do ensino obrigatório, na redução do abandono escolar e nos níveis de frequência das universidades, mas destacou que falta ao país "ir muito mais longe na qualidade e na competitividade" dos sistemas de educação e formação, "tendo em conta os padrões europeus" com o Portugal se compara.

Nos dias atuais, declarou, "completar o ensino secundário e avançar o mais possível nos estudos é uma questão de justiça social".

"Passou-se de uma escola seletiva para uma escola inclusiva, que tem de ter lugar para os melhores, que devem poder expandir as suas capacidades, mas tem igualmente que saber acolher, apoiar e desenvolver todos os que aí chegam com menos potencial, seja por razões de natureza individual, seja por condições sociais ou familiares desfavoráveis", afirmou.

"Agentes cruciais"

Cavaco Silva destacou ainda o papel da escola e dos professores na sociedade, onde os mercados de trabalho têm conhecido "uma mudança acelerada".

"Já não há empregos para a vida, e a mobilidade, incluindo entre diferentes países, é uma realidade exigente", disse, o que implica "novas maneiras de ensinar e de aprender", a que "a escola tem que dar resposta".

"Os professores, que foram os agentes da escola de rigor e de seleção de outrora, são hoje os agentes cruciais para o sucesso desta evolução que a sociedade moderna e global exige" e têm também a tarefa de "fazer a ligação entre o mundo exterior e a preparação das crianças e jovens".

A função da escola nos tempos atuais "tornou-se tão complexa e tão extensa que exige coordenação das políticas nacionais e europeias, assim como a definição de padrões de qualidade que orientem e estimulem um aperfeiçoamento constante".

No final da cerimônia, Cavaco Silva não quis responder às questões de jornalistas sobre a formação do novo Governo luso, afirmando pretender apenas celebrar o centenário do Liceu Camões, "um símbolo de qualidade educativa".

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