Berlim, 16 out (Lusa) - A Feira do Livro de Frankfurt continua movimentada pelos debates políticos, e desta vez não foi apenas o país convidado de honra, a China, a estar no centro das atenções, mas também a Itália.
O escritor italiano Claudio Magris, que receberá, no domingo o Prêmio da Paz da Associação Alemã dos Editores e Livreiros, criticou a "política pop" no seu país, sob a liderança de Silvio Berlusconi. A mais alta distinção associada ao evento será entregue na igreja de São Paulo, em Frankfurt.
Magris afirmou que, na Itália, e também na França de Nicolas Sarkozy, a política "já não respeita as regras clássicas da democracia, porque em democracia é impensável não reconhecer o Tribunal Constitucional", disse o escritor, de 70 anos.
A declaração foi uma alusão aos acontecimentos recentes no seu país, onde o Supremo resolveu levantar a imunidade ao primeiro-ministro, decisão que Berlusconi criticou duramente.
TibeteO ator alemão Ralf Bauer intercedeu a favor do povo do Tibete, e o Prêmio Nobel de Literatura de 1999, Guenter Grass, no dia em que completou 82 anos, leu passagens do seu famoso romance "O Tambor", apresentado há 50 anos na Feira do Livro de Frankfurt.
Bauer afirmou que o Tibete "é um exemplo para todas as injustiças do mundo", durante a apresentação de um livro da autora tibetana Tsering Woesser sobre os violentos confrontos entre manifestantes desta minoria étnica e soldados chineses, em 2008.
O livro "Vocês Têm As Espingardas, Eu Tenho Uma Caneta" é a única publicação sobre estes acontecimentos, ressaltou o presidente da Iniciativa Alemã em favor do Tibete, Wolfgang Graber.
Em pleno debate sobre os direitos humanos, a delegação oficial chinesa rejeitou acusações de que os seus representantes se recusam a dar entrevistas à imprensa ocidental.
"Não há nenhuma proibição de falar", disse Frank Woellstein, da Agência WBCO, que Pequim encarregou de fazer o trabalho de relações públicas na feira.
"Os boatos são um misto de más interpretações e preconceitos", alegou Woellstein, depois de vários jornalistas se terem queixado de verem desmarcadas na última hora entrevistas já combinadas, ou de os responsáveis da delegação chinesa ficarem sistematicamente ao silêncio.
EventoA feira, que acontece até domingo, deve ter cerca de 300 mil visitantes. Após dois dias reservados a profissionais do setor, evento foi aberto nesta sexta-feira ao público.
Na edição deste ano do maior certame mundial do gênero estão mais de 7.000 expositores de cerca de 100 países, trazendo de 400 mil títulos, dos quais 124 mil novas edições.
Pela primeira vez na história da feira, um dos temas dominantes tem sido a digitalização de livros e a sua disponibilização na internet, um segmento com peso econômico cada vez maior nesse mercado.