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19/10/2009 - 09h11

Brasileiros que viviam no exterior começam a voltar ao país

Rio de Janeiro, 19 out (Lusa) - O Brasil, que ao longo das últimas décadas se transformou num país de emigrantes, está apresentando indícios de retorno de brasileiros, disse o subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior.

"Há indícios de retorno dos brasileiros para o país", admitiu à Agência Lusa o embaixador Oto Agripino Maia, que coordena a subsecretaria do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores.

O diplomata considera que o fluxo migratório de brasileiros fora do país está sendo alterado devido à crise financeira global e à maior projeção do Brasil no cenário internacional.

"A crise no exterior que começou em julho do ano passado atingiu, sobretudo, os países desenvolvidos, desta vez, e não nós", ressaltou Maia, acrescentando que o impacto sobre o desemprego está atingindo principalmente os imigrantes, que "são os primeiros a perderem o emprego".

Contudo, a melhoria da situação econômica brasileira é um "fator inegável" que serve de atração dos brasileiros que querem regressar ao país.

Projeção internacional

O momento de destaque que o Brasil está vivendo, como líder regional, podendo alcançar o patamar de quinta maior economia do mundo em 10 anos, além da recuperação econômica após ter anunciado medidas para conter a crise, é motivo para que muitos brasileiros pensem em voltar para casa.

Dos cerca de três milhões de brasileiros que vivem no exterior, estima-se que 1,28 milhões estejam nos Estados Unidos, epicentro da crise.

Só na maior economia do mundo, a taxa de desemprego atingiu 9,8%, a mais alta desde junho de 1983. Desde o início da recessão, o número de pessoas desempregadas nos EUA ultrapassou os 15 milhões.

"Nos EUA e na Europa há muitos brasileiros que precisam de nós e temos que estar atentos às necessidades deles", afirmou Maia.

O embaixador brasileiro acrescentou que, aliado a uma melhora da economia do Brasil, somam-se outros fatores como os trabalhos de preparação para os grandes eventos esportivos mundiais a serem realizados no Brasil, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas, em 2016.

"Tudo isso aquecerá a economia e colocará o Brasil no centro de atenções. Isso gerará, a muitos brasileiros que estão lá fora, a ideia de retornar ao Brasil", afirmou.

Além disso, Maia traçou uma radiografia da emigração ao frisar que nas últimas três décadas, "criou-se uma realidade nova: a sociedade e o governo brasileiro gradualmente se deram conta que somos um país de emigração".

Desde então, as autoridades brasileiras estão se preparando "para atender às demandas desse contingente de compatriotas que moram longe de casa". A maior parte é de mão-de-obra não qualificada, afirma, "embora haja uma grande diversidade".

Um desafio para as comunidades brasileiras, segundo o embaixador, é obter avanços na constituição de um conselho representativo.

O próprio chanceler Celso Amorim declarou a necessidade de haver um diálogo de representantes das comunidades com o governo brasileiro.

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