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20/10/2009 - 09h12

Angola tem 1,2 mil médicos cubanos e deverá receber mais

Luanda, 20 out (Lusa) - Cerca de 1.200 médicos cubanos trabalham em Angola, no contexto da cooperação existente entre os dois países, que data do período que antecedeu a independência do país africano, em novembro de 1975.

Os médicos cubanos, de todas as especialidades, estão espalhados por 64 municípios das 18 províncias angolanas, disse à Agência Lusa uma fonte do Ministério angolano da Saúde.

Ao longo dos anos, a cooperação bilateral vem crescendo, estando prevista a chegada de mais médicos nos próximos anos.

As condições de alojamento são o principal obstáculo à contratação de mais médicos, apesar dos esforços de Luanda para a sua melhoria, acrescentou a mesma fonte.

Questionado pela Agência Lusa sobre as condições de trabalho dos médicos, o embaixador cubano em Luanda, Pedro Ross Leal, disse que "são aquelas que Angola pode oferecer".

"Há um esforço para se criar essas condições, as melhores possíveis, e estamos satisfeitos por saber que um país que está em reconstrução está a fazer um grande esforço por criá-las", frisou, acrescentando que não vai ser exigido "o que não é possível".

O diplomata recordou que quando os primeiros médicos cubanos chegaram a Angola, os serviços de saúde eram assegurados por religiosas."Estive cá, por altura da independência, e lembro-me, por exemplo, do hospital de Cabinda, onde os serviços de saúde eram assistidos por madres e os nossos médicos entraram naquelas instalações para se juntarem a elas. Por isso a nossa cooperação já data de há muito", disse o embaixador.

Além disso, Leal lembrou que a cooperação tem aumentado, não só com o envio de médicos, mas também com a doação, pelo governo cubano, do hospital oftalmológico da província de Benguela, após a visita que o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, fez a Cuba.

Segundo o diplomata cubano, desde que este hospital abriu, em 2008, já foram atendidas 123 mil pessoas e feitas mais de 8 mil cirurgias oftalmológicas.

Medicamentos

A fonte do governo angolano adiantou, por seu lado, que a cooperação poderá ser ampliada para a área de produção de remédios no país africano, com a ajuda de especialistas e técnicos cubanos.

Os dois governos iniciaram um programa que pretende controlar e erradicar a malária em Angola, doença causadora de milhares de mortes no país, incluindo crianças menores de cinco anos e mulheres grávidas.

Técnicos e especialistas cubanos e angolanos estão desenvolvendo pesquisas e experiências piloto em mais de 60 municípios do país com a biolarvicida, um produto biológico não tóxico que combate as larvas que dão origem aos mosquitos transmissores da doença.

Nesta primeira fase trabalham no programa 140 especialistas cubanos que têm estado a formar agentes sanitários angolanos.

O produto, que pode ser aplicado de forma aérea e terrestre, é inofensivo para pessoas e animais e não oferece resistência, como acontece com outros inseticidas químicos.

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