Bissau, 20 out (Lusa) - O Brasil vai enviar um grupo de professores para a Guiné-Bissau para recuperar e reestruturar a Universidade Amílcar Cabral (UAC), no âmbito do reforço da cooperação bilateral, revelou nesta terça-feira o embaixador do Brasil no país africano.
"Há um projeto, que está em andamento, que é trazer um grupo de professores brasileiros para a Guiné-Bissau para trabalharem na recuperação e reestruturação da Universidade Amílcar Cabral", disse Jorge Geraldo Kadri à Agência Lusa.
"Se tudo correr bem, no ano de 2010, podemos ter esse grupo de professores a trabalhar na reestruturação da UAC", frisou o diplomata.
"A ideia é que esses brasileiros possam auxiliar cada uma das instituições de nível superior da Guiné-Bissau", acrescentou.
A aposta do Brasil no apoio ao ensino superior guineense está relacionada com o fato de cada vez mais estudantes do país africano escolherem as universidades brasileiras para fazerem a suas graduações.
"Entre 2000 e 2009, 1190 guineenses foram estudar para o Brasil", disse o embaixador.
"O Brasil não dá recursos, mas garante a participação nas melhores universidades e gratuitamente", explicou Kadri.
Paralelamente a esta aposta, o Brasil remodelou e ampliou o seu centro cultural em Bissau e cerca de 750 alunos frequentam cursos para aprenderem o português, literatura, expressão escrita e falada.
"São módulos de um ano e os alunos podem depois ir para qualquer país da CPLP em melhores condições de enfrentar uma universidade de prestígio, onde o português é essencial", afirmou o embaixador, lembrando que muitos estudantes que vão para o Brasil sofrem por não falar bem o idioma.
Para explicar a aposta naquele tipo de formação, Kadri lembrou que "apenas 15% da população na Guiné-Bissau fala corretamente o português e uma quantidade ainda menor o escreve de maneira satisfatória".
Outra aposta educacional brasileira na Guiné-Bissau é na área da formação profissional.
"Deve entrar em funcionamento no final deste mês, o Centro de Formação Profissional Brasil/Guiné-Bissau e é um centro que treinará os jovens da Guiné-Bissau em várias áreas técnicas de nível profissional", disse.
Jovens guineenses terão nove cursos disponíveis na instituição, entre os quais, de eletricista, pedreiro e de panificação.
Os cursos ainda não começaram, mas já estão inscritas 4,5 mil pessoas.
"Nos próximo quatro, cinco anos, vamos ter casa cheia e preparar esses jovens para o mercado de trabalho", frisou o embaixador.
Além do centro de formação profissional, o Brasil também está trabalhando com as autoridades guineenses para criar o Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa.
"O objetivo é incentivar e formar o pequeno empreendedor", disse.
"Se conseguirmos aliar o processo de reformas do Estado à revitalização do mercado de trabalho e da economia, entendemos que estamos a caminhar de maneira satisfatória e bastante firme na direção da estabilidade do país", concluiu Kadri.