Lisboa, 20 out (Lusa) - O eurodeputado português Mário David pediu para José Saramago renunciar à cidadania portuguesa por se sentir "envergonhado" com as recentes declarações do escritor sobre a Bíblia.
No seu site pessoal, o vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE) escreveu que Saramago "há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize. E depressa".
"Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?", questiona o eurodeputado.
No sábado, Saramago lançou o livro "Caim" e considerou a Bíblia "um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana".
Após estas afirmações, houve reações de vários representantes da Igreja Católica e da comunidade judaica em Portugal, criticando Saramago e acusando-o de estar fazendo um golpe publicitário para promover o livro.
"Se a outorga do Prêmio Nobel o deslumbrou, não lhe confere a autoridade para vilipendiar povos e confissões religiosas, valores que certamente desconhece, mas que definem as pessoas de bom caráter", escreve ainda Mário David na internet.
Contatado pela Agência Lusa, o eurodeputado disse que as afirmações "são pessoais e não representam o partido" pelo qual foi eleito.
"Não estou interessado em entrar em polêmica", declarou, acrescentando que também não quer "contribuir para dar publicidade ao livro".
Questionado se já leu "Caim", respondeu: "Não li, nem vou ler, ou é obrigatório?", ironizou.
"Esta posição é pessoal e vincula-me só a mim. Nem sequer sou católico praticante, mas tenho o direito à indignação", justificou, acrescentando que se sentiu "violentado" pelas declarações do autor sobre a Bíblia, que, na sua opinião, são "atentatórias da consciência e sentimentos dos outros".