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21/10/2009 - 11h14

Brasil pode ser líder da integração regional, diz analista

Madri, 21 out (Lusa) - O Brasil vai liderar e arrastar o resto da América Latina para um processo de maior integração econômica, à semelhança do papel que a China assumiu na região asiática, afirmou o analista político Andrés Oppenheimer.

"Se a América Latina não se integra em aspectos concretos, não vai poder competir na economia global", disse.

Em entrevista ao jornal espanhol El Pais, o argentino considera que essa integração é necessária para fortalecer o futuro da região que vive perante grandes contradições entre os discursos das cúpulas e sua realidade.

"Os líderes proclamam unidade regional nos encontros, mas a verdade é que para alguns países é mais fácil exportar francos para a China do que para um país vizinho", afirmou.

Frisando que são o Chile e o Brasil, e não "as nações da ALBA (Alternativa Bolivariana para os Povos da Nossa América) que mais têm conseguido reduzir a pobreza", Oppenheimer considera que o grande êxito do presidente Lula foi continuar as políticas econômicas do seu antecessor.

"Acredito que o Brasil arrastará o resto da América Latina, como a China fez com a Ásia. Ainda que tenha uma política externa lamentável, de apoio a tudo quando são ditaduras, é um modelo de continuidade econômica e de êxito", declarou.

De acordo com Oppenheimer, o Brasil está ocupando hoje "espaços deixados vazios pelo México", assumindo o papel de liderança, tanto na América do Sul, como na América Central.

Em outros aspectos, ele analisa a pressão que o combate ao narcotráfico está exercendo sobre o presidente mexicano, Felipe Calderón, afastando-o de mais protagonismo regional.

O argentino antecipa também um acordo para resolver a situação política em Honduras, um país "que depende de ajuda externa" e que, por isso, não quer ser condenado pela comunidade internacional.

Oppenheimer rejeita igualmente sugestões de que o governo norte-americano de Barack Obama, em relação a América Latina, tenha sido uma decepção.

Em referência aos demais problemas com que os Estados Unidos se deparam - crise econômica, guerras no Afeganistão e no Iraque -, Oppenheimer admite que o processo de aproximação à América Latina "custará".

"Não tem uma grande história pessoal com a América Latina. E os republicanos não deixam", afirmou.

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