Joanesburgo, 21 out (Lusa) - O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, manifestou "disponibilidade para ajudar o Zimbábue", depois de um encontro, na Cidade do Cabo, com o primeiro-ministro zimbabuano, Morgan Tsvangirai.
Zuma, que recebeu Tsvangirai na sua residência oficial da Cidade do Cabo, longe dos olhares da imprensa, reiterou em comunicado emitido "o seu desejo de que o Zimbábue não volte a resvalar para a instabilidade".
Este foi o único comentário do presidente sul-africano constante no comunicado que sobre o encontro com o primeiro-ministro zimbabuano e líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC).
Na segunda-feira, Tsvangirai e todos os ministros e vice-ministros do MDC boicotaram uma reunião do Conselho de Ministros do governo de unidade nacional, em protesto contra a mais recente detenção de um destacado membro do seu movimento e o não cumprimento do presidente Robert Mugabe e do seu partido de vários trechos do acordo de partilha do poder.
Quebra de acordosO primeiro-ministro do Zimbábue vem se declarando há muito descontente com a recusa de Mugabe em demitir o presidente do banco central, governadores provinciais e outras figuras da administração e substituí-los por membros do MDC.
Tsvangirai afirma que isso é uma quebra dos acordos assinados entre a Zanu-Frente Patriótica e o MDC, um compromisso que permitiu a formação, em fevereiro deste ano, do governo de unidade que tirou o Zimbábue de uma profunda crise econômica, financeira, política e social.
No leque das queixas de Tsvangirai, está também a continuada repressão das forças de segurança contra membros da oposição, fazendeiros, membros da sociedade civil, bem como a ausência de liberdade de imprensa no país.
A gota d'água que levou o primeiro-ministro a deixar de participar do Executivo foi a mais recente detenção do tesoureiro do MDC, que fio indicado a vice-ministro da Agricultura, Roy Bennett, acusado pela polícia e Procuradoria de terrorismo e alta traição.
Na terça-feira, Tsvangirai se reuniu com o presidente de Moçambique, Armando Guebuza, que também é o líder do grupo composto por Moçambique, Zâmbia e República Democrática do Congo, conhecido como Trio para Política, Defesa e Cooperação de Segurança da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Os encontros fazem parte de um périplo pela região com o objetivo de mobilizar o apoio dos líderes regionais para pressionarem Robert Mugabe no cumprimento do acordo político global.
Segundo o comunicado presidencial sul-africano, o trio da SADC vai se reunir, na próxima semana, em Harare, para analisar a situação que levou à ruptura parcial do acordo.