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22/10/2009 - 09h17

Nanotecnologia pode ajudar a curar gripe A, diz pesquisadora

Rio de Janeiro, 22 out (Lusa) - A nanotecnologia é um instrumento "promissor" para a biomedicina no século 21 e pode ajudar na cura e no tratamento de doenças como o vírus da gripe A (H1N1) e da Aids, afirmou a pesquisadora Claude Pirmez, da Fundação Oswaldo Cruz.

"A nanotecnologia é um novo mecanismo promissor e tem muitas possibilidades de se desenvolver para tratamentos de diversas doenças como o H1N1 e a Aids, permitindo ajudar num rápido diagnóstico", disse Pirmez, vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz.

Pirmez falou à margem de um colóquio científico que reúne cientistas franceses e brasileiros para discutir novas tecnologias, terapia gênica, nanotecnologia e o desenvolvimento de medicamentos e vacinas.

O evento faz parte das atividades do Ano da França no Brasil e conta com a participação de cientistas ligados a instituições francesas como o Instituto Pasteur de Paris, o Instituto Nacional de Saúde e de Pesquisa Médica (Inserm) e o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS).

Segundo Pirmez, as doenças emergentes com a globalização e a mudança de parâmetros da população como o seu envelhecimento, são os grandes desafios da ciência biomédica neste novo século.

"São desafios muito grandes associados às mudanças do padrão epidemiológico das doenças, transmitidas por vetores, por água e animais", frisou.

Saúde

As doenças negligenciadas pelos grandes laboratórios farmacêuticos representam um "problema gigante" que impedem o desenvolvimento e até mesmo a expressão da cidadania.

"O maior desafio talvez sejam as iniquidades. A saúde deve ser considerada como um bem que gera a igualdade social", afirmou ao destacar a necessidade de vencer as desigualdades da polarização norte-sul.

Todo o conhecimento das novas tecnologias, gerado a partir de pesquisas, deve ter aplicações práticas e facilitar o acesso à informação, prevenção, diagnóstico e ao tratamento, defende a pesquisadora.

Porém, para vencer as barreiras, a solução parte de cooperações internacionais, admitiu Pirmez.

"As cooperações são um caminho para a solução, é imprescindível, não há trabalho sem parcerias. Desde Oswaldo Cruz quando fundou a Fiocruz já havia a parceria com a França, ele mesmo foi aluno de Pasteur", declarou.

Segundo ela, são duas vias de cooperação, a norte-sul, que o Brasil estabelece com países desenvolvidos, e a sul-sul, como no caso do Brasil com os países africanos.

"O Brasil saiu de um estado de um país periférico e está no meio do caminho. Temos a possibilidade de uma troca, é uma via de mão dupla e de partilha de informações para enfrentar diversas doenças", disse.

Pirmez citou os escritórios na África que a Fiocruz já abriu com o objetivo de "juntar as competências".

É a partir de cooperações internacionais que será possível traçar estratégias articuladas para enfrentar doenças como a Aids e doenças negligenciadas, como a tuberculose e a malária.

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