Cidade da Praia, 22 out (Lusa) - Várias famílias desalojadas, estradas e habitações danificadas e telecomunicações cortadas são algumas das consequências provocadas pelas fortes chuvas de terça-feira nas ilhas do norte de Cabo Verde, fazendo aumentar as previsões dos custos do Plano de Emergência do governo.
Durante seis horas consecutivas, a chuva caiu intensamente nas ilhas de Santo Antão, São Vicente e São Nicolau, que já tinham sido atingidas pelo mau tempo registrado em setembro, tendo então o governo cabo-verdiano estimado em 2.500 milhões de escudos (R$ 59,25 milhões de euros) os custos dos prejuízos.
"A situação na vila da Ribeira Brava (São Nicolau) voltou a ser catastrófica. Algumas casas caíram, vários carros foram levados pelas enxurradas, algumas casas comerciais foram invadidas pelas águas e não há ligação terrestre da vila para nenhum povoado", segundo a descrição da Rádio de Cabo Verde.
No entanto, e ao contrário do que aconteceu em setembro, quando uma mulher e dois filhos morreram nas enxurradas que desmoronaram a casa em que habitavam, não há vítimas fatais.
Já sem chuva, apesar de cobertas de nuvens, as três ilhas estão agora calculando novamente os prejuízos do mau tempo. Alguns moradores lembram que a região não era castigada com mau tempo desta dimensão desde 1984, há 25 anos.
O ministro cabo-verdiano das InfraEstruturas e Transportes, Manuel Inocêncio, afirmou que os prejuízos provocados pelas chuvas de terça-feira são "superiores" às do mês passado.
As chuvas de terça-feira também provocaram danos nas ilhas de Santo Antão e São Vicente, com deslizamentos de terras, a destruição de estradas e de casas de habitação e cortes nas telecomunicações fixas e móveis.
A situação no interior das ilhas continua desconhecida, uma vez que não tem sido possível o deslocamento por via terrestre e as populações estão isoladas nos povoados da Ribeira Prata, Praia Branca e Fragata (todas em São Nicolau).
Mas, se a situação do ano agrícola na primeira quinzena de outubro era desanimadora, tanto para os agricultores como para os responsáveis políticos locais e nacionais, as novas chuvas acabaram também por beneficiar algumas zonas agrícolas do sul do arquipélago, como nas ilhas do Fogo e da Brava e mesmo na de Santiago.
Segundo o prefeito de São Filipe, Eugénio Veiga, as chuvas, "moderadas, mas consistentes", trouxeram novamente otimismo, visível sobretudo nos agricultores, que já pensam outra vez na possibilidade de uma produção satisfatória de tubérculos, milho e feijão, produção de pasto e recarga hídrica.