Pequim, 22 out (Lusa) - A drástica campanha contra o crime organizado em Chongqing, sudoeste da China, está sendo apresentada na imprensa chinesa como "uma guerra".
Seis pessoas acusadas de envolvimento em gangues já foram condenadas à morte, mas os principais réus, entre os quais dezenas de altos funcionários, ainda não começaram a ser julgados.
É um dos maiores processos do gênero registrados no país e envolve o próprio ex-diretor do departamento judicial de Chongqing, Wen Qiang, que durante 16 anos (1992-2008) comandou a polícia de segurança pública local.
Responsáveis dos departamentos de investigação criminal, assuntos econômicos, trânsito e narcóticos estão também acusados de "protegeram" uma vasta de rede de "gangues mafiosos".
Um dos grupos de criminosos já julgados, com 22 réus, era "o único que, segundo os tribunais, não tinha proteção policial", observou nesta quinta-feira o jornal
China Daily.
No conjunto, os tribunais números 1 e 3 de Chongqing pronunciaram quarta-feira seis condenações à morte, três das quais com pena suspensa por dois anos, o que costuma ser comutado em prisão perpétua.
Desde o início da "guerra popular contra a máfia", há quatro meses, foram detidos mais de 1,5 mil suspeitos, ligados a 19 "gangues" diferentes e que controlavam vários negócios - legais e ilegais - incluindo prostituição, indústria da mineração e transportes.
As gangues de Chongqing asseguravam o abastecimento de 70% da carne de porco consumida na região, que tem 30 milhões de habitantes.
Situado na confluência dos rios Yangtze e Jialing, Chongqing é um dos quatros municípios diretamente dependentes do governo central, ao lado de Pequim, Xangai e Tianjin, tendo um estatuto equivalente ao de uma província.
"Enquanto a economia chinesa se desenvolvia a alta velocidade, os escroques de Chongqing foram-se tornando mais organizados e sofisticados", disse um criminologista de uma universidade local.
Entre os detidos figura um multimilionário com interesses no setor dos transportes e imobiliário, Li Qiang, que já foi deputado à Assembleia Popular de Chongqing.
Homicídios, sequestros, posse ilegal de armas e falsificação de documentos são alguns dos crimes imputados às gangues.
O sucesso da atual campanha tem também aumentado a cotação do novo líder local do Partido Comunista, Bo Xilai, um dos mais conhecidos "príncipes vermelhos" do país.
Filho do ex-premiê Bi Yibo, Bo Xilai já foi ministro do Comércio e governador de Liaoning, província industrial do nordeste do país.
Bo Xilai, 60 anos, é membro do Politburo do PCC e assumiu o atual cargo em dezembro de 2007.
"Foram as gangues que forçaram o governo a agir. As pessoas juntavam-se à nossa porta com fotografias das vitimas a sangrar", disse Xilai.
Segundo a imprensa local tem realçado, "mais de 9 mil indicações sobre as atividades mafiosas recebidas pelas autoridades foram fornecidas por cidadãos comuns de Chongqing, que em muitas casos fizeram até questão de se identificar".
A corrupção é a principal fonte de descontentamento popular na China e a própria liderança comunista reconhece que se trata de "uma questão de vida ou de morte" para a sobrevivência do partido no poder.