Lisboa, 22 out (Lusa) - A União Europeia (UE) desperdiça entre três e seis bilhões de euros (entre R$ 7,86 bilhões e R$ 15,73 bilhões no câmbio atual) por ano em cada 49 bilhões de euros (R$ 128,46 bilhões) destinados à ajuda pública ao desenvolvimento.
Um estudo divulgado pela Comissão Europeia (braço executivo do bloco) quantifica os custos resultantes da ineficácia na ajuda ao desenvolvimento, ou seja, montantes que se "perdem" devido ao fracionamento dos projetos, má divisão do trabalho, multiplicação dos doadores e outras faltas de coordenação.
O estudo avalia o custo médio de concepção, avaliação e adoção de cada novo projeto entre 90 mil e 140 mil euros, sendo que em 2007 a UE aprovou cerca de 22 mil projetos.
Outra questão é que em 41% dos setores de ajuda ao desenvolvimento há pelo menos três doadores diferentes, com os quais os países beneficiários têm de se coordenar.
"Para os países em desenvolvimento, que tem meios administrativos escassos, a multiplicação de doadores, por exemplo, aumenta de forma inútil os trâmites burocráticos", ressaltou o porta-voz da Comissão para o Desenvolvimento, John Clancy.
A comissária para o Desenvolvimento, Karel De Gucht, pediu uma melhor coordenação nesta matéria, salientando que isso "libertaria fundos que seriam melhor aplicados".
A Espanha, que terá a presidência rotativa da UE no primeiro semestre do próximo ano, disse que vai propor a melhoria dos mecanismos de concessão de ajuda ao desenvolvimento, neste caso para impedir que parte dessa ajuda vá parar em paraísos fiscais.
A secretaria de Estado espanhola da Cooperação, Soraya Rodríguez, afirmou que deseja ver aprovada uma estratégia europeia nesse sentido.