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22/10/2009 - 18h52

Comissão eleitoral moçambicana defende voto eletrônico

Maputo, 22 out (Lusa) - A Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Moçambique disse que o sistema eletrônico de apuração dos resultados das eleições gerais, marcadas para 28 de novembro, impede fraudes e garante a transparência do processo.

O sistema eletrônico foi apresentado aos jornalistas, comunidade internacional e observadores eleitorais nesta quinta-feira, mas a CNE não conseguiu explicar todas as dúvidas sobre a credibilidade da empresa de informática Lab Soft, responsável pelo processo.

Alguns jornalistas questionaram, nos últimos dias, a confiabilidade da empresa, que não estaria nem registrada e pertenceria a membros da Frelimo, o partido no poder em Moçambique.

Em relação a uma pergunta sobre quem são os acionistas da empresa, a CNE e o representante da empresa se recusaram responder, alegando que não era o local indicado.

"A suspeição é um mau princípio", disse também Mário Ernesto, diretor de organização e operações eleitorais do STAE (Secretariado Técnico de Administração Eleitoral), afirmando que a Lab Soft é constituída por jovens moçambicanos que ganharam o concurso e acusando a imprensa de estar "a levantar fantasmas".

O sistema, segundo Penicela Vasco, o representante da Lab Soft, vai gerir a contagem dos votos das eleições gerais (presidenciais e legislativas) e das eleições provinciais, acontecem todas no dia 28.

Processo

Cada uma das 11 províncias já recebeu o novo sistema, que foi desenvolvido de modo a que não sejam possíveis fraudes, detectando e recusando, por exemplo, números contraditórios.

"Quando os dados não coincidirem, os editais são anulados. Quando todos os dados estão digitalizados, o administrador do sistema encerra o processo para impedir que sejam colocados mais dados", disse Penicela Vasco.

Além disso, os supervisores do sistema não sabem quem introduz os dados e por sua vez os que digitam os números têm também senhas individuais e invioláveis, que são imediatamente anuladas mal seja fechada a contagem.

Os representantes da Lab Soft, do STAE e da CNE ressaltam que o sistema é confiável, pois em todas as províncias há pessoas que vão garantir a segurança e recomendam a utilização de câmeras de vídeo. Além disso, afirmam que todo o banco de dados estará limpo antes do início da contagem de votos.

A campanha eleitoral para as eleições gerais de Moçambique começou em 13 de setembro e termina no próximo domingo. Na quarta-feira, cerca de 10 milhões de eleitores vão escolher o presidente da República e os deputados nacionais e provinciais para os próximos cinco anos.

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